Em busca de dobradinha, X-9 leva à avenida o movimento armorial

Cultura nordestina será retratada no desfile da escola de samba, que fecha o Carnaval santista

01/02/2018 - 08:00 - Atualizado em 01/02/2018 - 08:02

Em busca do 21º título pelo Grupo Especial, a escola de samba X-9 ficará com a missão de encerrar a noite de desfiles de Carnaval em Santos. A agremiação, que espera levar para avenida cerca de 2,3 mil integrantes, no próximo dia 3 de fevereiro, fará neste ano uma homenagem ao movimento denominado armorial, alicerçado na obra do escritor e dramaturgo paraibano, Ariano Suassuna. 

A corrente artística, criada em 1970, sintetiza elementos e figuras da cultura nordestina e obras clássicas da literatura. A mistura de gostos e expressões, de acordo com o vice-presidente da agremiação, Luis Demetrius Durante, dará aos foliões um outro olhar a respeito da cultura daquela região, pouco trabalhada nos desfiles de Carnaval. 


FICHA TÉCNICA

Cores: verde, vermelho e branco
Títulos: 27 
Presidente: Benedito de Andrade
Fernandes (Ditinho) 
Direção de Carnaval: Adelson
dos Santos

Carnavalesco: Igor Carneiro
Diretor de harmonia: Professor Junior 
Comissão de frente: Geovana Mansonelli
Porta Bandeira: Thais Paraguassu 
Mestre sala: Fabiano Dourado
Componentes: 2.350
Carros alegóricos: 3
Quadripé: 1
Bateria: 170 ritmistas 
Rainha da bateria: Alessandra Matos
Princesa: Jennifer Duarte

“A cultura nordestina é hoje a mais rica que temos no Brasil. E hoje, o que percebemos é que em 99,9% das vezes que alguma escola decidiu homenagear a região, destacou apenas a pobreza, a seca, a fome, deixando de lado essa cultura tão bonita, que é o movimento armorial”, comenta. 

A escolha da temática ocorreu logo após o término do desfile do ano passado, que consagrou a escola de samba campeã do Carnaval santista. “Conversamos com o nosso carnavalesco, que já tinha feito um trabalho sobre o movimento, e começamos a pesquisar mais sobre o tema, que é fantástico e muito rico”. 

E para que a história do escritor seja contada na avenida, estão envolvidos nos preparativos do desfile aproximadamente 60 profissionais, entre escultores, soldadores, serralheiros, decoradores, costureiros e aderecistas. 

“Estão todos empenhados e acredito que é possível levar o título novamente. Vamos fechar o Carnaval e sempre falam que os últimos serão os primeiros”, brinca Durante, que acrescenta: “A escola está tendo muito trabalho, mas boto muita fé na X-9. A gente sabe fazer Carnaval”.  

Parte das fantasias da escola foi furtada no último Natal (Foto: Fernanda Luz/AT)

Volta por cima 

Se não bastassem as dificuldades orçamentárias enfrentadas ano a ano pelas escolas de samba do Município, recentemente, a X-9 ainda sofreu um prejuízo de R$ 17 mil. No Natal, bandidos invadiram o ateliê da agremiação, localizado na Rua do Comércio, 149, em frente ao Largo Marquês de Monte Alegre, a poucos metros do Santuário de Santo Antônio do Valongo e do Museu Pelé. 

Eles furtaram, além de materiais, fantasias que seriam usadas na apresentação. O furto aconteceu entre 15h e 18 horas, quando um artista de Parintins (AM), contratado pela agremiação para cuidar da decoração do desfile, havia saído para almoçar. 

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“Por causa do furto, talvez a gente precise reduzir o número de componentes nas aulas. Ainda estamos analisando. Já perdemos parte da verba repassada pela Prefeitura e ainda tivemos esse prejuízo”, lamenta o vice-presidente da escola, lembrando que, apesar das dificuldades, a grande conquista da escola com o desfile de 2018 será poder apresentar aos foliões um pouco mais sobre uma cultura desconhecida e pouco valorizada pelos brasileiros. 

“Nós, brasileiros, temos esse hábito de valorizar tudo o que vem de fora e esquecemos do que temos aqui. Por isso, a surpresa para este ano, na verdade, será a satisfação de podermos mostrar esse trabalho. Não é fácil fazer Carnaval, mas estamos confiantes de que podemos fazer bonito na avenida, promovendo um verdadeiro mergulho no sonho de Ariano Suassuna”. 

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