Cultuada como santa, escrava Anastácia será homenageada pela Amazonense

Para narrar sua história, agremiação guarujaense levará ao sambódromo 1,6 mil componentes

29/01/2018 - 08:00 - Atualizado em 29/01/2018 - 08:02

Considerada uma das mais importantes figuras femininas da história negra, a escrava Anastácia, também cultuada como santa pela realização de supostos milagres, terá sua vida narrada no enredo da escola Amazonense, quinta agremiação a desfilar pelo Grupo Especial no Carnaval de Santos, no próximo dia 3 de fevereiro.

Conforme registros, a história de Anastácia começa em 9 de abril de 1740, com a chegada de um navio negreiro africano ao Rio de Janeiro. Nele estavam 112 negros originários do Congo, que seriam vendidos como escravos. Entre eles, a mãe de Anastácia, que foi violentada e acabou ficando grávida de um homem branco, motivo pelo qual a criança nasceu com os olhos azuis.


FICHA TÉCNICA 

Cores: verde e branco
Presidente: Guilherme Evangelista
dos Santos
Direção do Carnaval: Comissão
Intérprete: Ricardo Jacaré 
Diretor de Harmonia: Ricardo Jacaré
Comissão de frente: Antônio Carlos Santos
(Chiquinho The Best) 

Porta-bandeira: Jane Moreno
Mestre-sala: Jefferson 
Componentes: 1,6 mil 
Alas: 16 
Carros alegóricos:
Quadripé: 1
Bateria: 150 ritmistas
Rainha: Najara Carmo
Princesa: Janaina Paiva 

Apesar de muito cobiçada, Anastácia nunca cedeu aos apelos sexuais de seus senhores. Por isso, foi estuprada  e sentenciada a usar uma máscara de ferro por toda a vida, que só era retirada na hora de se alimentar.

Wallacy Vinicyos, carnavalesco da Amazonense, conta que a escolha pela temática surgiu após pesquisas em antigos rascunhos. “Há quatro anos, numa conversa com minha mãe, ela me contou um pouco sobre a vida dessa santa, da qual minha tia minha era devota. E aquilo ficou na minha cabeça. Revirando algumas coisas, encontrei uma redação que fiz na época, e pensei: por que não fazer esse tema?”.

Para que a história de Anastácia possa ser contada na avenida, o carnavalesco, que já está na agremiação guarujaense há dois anos, explica que foram necessárias readequações no enredo.

Inicialmente, a escola planejava narrar toda sua trajetória em 20 alas. Porém, para que os custos com o desfile fossem reduzidos, a agremiação optou por uma versão mais enxuta, com aproximadamente 1,2 mil componentes, divididos em 16 alas.

Com menos recursos financeiros, carnavalesco aposta na criatividade (Foto: Vanessa Rodrigues/AT)

Serão levados, ainda, à Passarela do Samba Dráusio da Cruz, três carros alegóricos e um quadripé. O abre-alas, adianta o carnavalesco, terá 21 metros de altura. “No primeiro setor, contaremos um pouco do início da vida dela. Depois, no segundo setor, mostraremos na avenida como ela foi transformada em escrava. E no último, sua imortalização como santa. Esse carro terá 18 metros”.

Economia 

Com menos recursos financeiros do que no Carnaval passado, ele revela que a saída encontrada pela agremiação para manter a mesma qualidade dos desfiles anteriores foi optar por materiais mais econômicos na confecção das fantasias e carros alegóricos.



“No enredo passado, quando homenageamos Holambra, a escola abusou de penas e placas, itens que são caros. Esse ano já faremos um Carnaval bem minimalista, com materiais mais alternativos. Será um desafio”, explica o carnavalesco que justifica a redução de gastos como uma saída para engordar o orçamento de 2019.

ver galeria
1/6


“Por causa desse último desfile, a escola terminou o Carnaval com R$ 200 mil em dívida. Pensamos que se esse ano gastássemos menos, teríamos mais recursos para planejar o próximo enredo”, comenta Wallacy, que garante que os carros, mesmo mais enxutos, manterão a mesma qualidade de desfiles anteriores.

Apesar não revelar muitos detalhes de como será a apresentação, Wallacy adianta que o grande destaque ficará por conta da bateria, que levará à avenida 150 ritmistas. “Posso garantir que haverá uma mega surpresa”.  
Veja Mais