Vencedores do concurso Centenário da Briosa são premiados

Promoção surgiu em razão do Centenário da Portuguesa Santista, que será comemorado na próxima segunda

17/11/2017 - 08:20 - Atualizado em 17/11/2017 - 08:20

Reynaldo, Mário, Luiz e Odair receberam seus prêmios
(Foto: Cláudio Vitor Vaz/A Tribuna)

Como os demais, Eduardo ganhou camisa do clube
(Foto: Cláudio Vitor Vaz/A Tribuna)

Os cinco primeiros colocados do concurso Centenário da Briosa, promovido por A Tribuna e pela Portuguesa Santista, foram premiados nesta quinta-feira (16), na sede do jornal. A promoção surgiu em razão dos 100 anos do clube, que serão comemorados na próxima segunda-feira, e valorizou em texto, foto ou vídeo as melhores histórias dessas pessoas com a Briosa.

O vencedor foi Reynaldo Bahia, de 88 anos, ex-jogador do Santos e da Portuguesa Santista no início dos anos 50. Uma poesia, feita com a ajuda da neta Mayara, simbolizou todo o sentimento dele pelo clube rubro-verde. 

“Sempre quando a gente conversa, ele relata fatos históricos e, mesmo com a idade e às vezes esquecendo algumas coisas, ele relembra alguns jogos da Portuguesa. Aí achei interessante mandar o texto e as fotos dele como jogador”, conta a neta. “Tenho muito carinho pela Portuguesa”, emenda Reynaldo, enquanto voltava no tempo ao mostrar as fotografias. “Dividimos nossa torcida entre o Santos e a Portuguesa”, comenta Mayara.

Reynaldo Bahia, hoje com 88 anos, em ação pela Briosa; ele também defendeu o Santos
(Foto: Arquivo pessoal)

Os prêmios destinados ao primeiro lugar foram um título de sócio familiar do clube, com um ano de mensalidades pagas; assinatura de um ano do jornal A Tribuna; dois convites para o jantar do centenário (que acontece neste sábado); camisas do time e comemorativa do centenário, minibola do centenário, boné e um exemplar do livro 100 Anos - Sou Mais Briosa, de autoria do jornalista Paulo Rogério e do economista Álvaro Silveira.

O segundo colocado foi o professor e geógrafo Luiz Paulo Neves Nunes, de 37 anos e morador de Guarujá. O terceiro colocado foi o bancário aposentado Odair Ferreira Ramos, de 68 anos. Em seguida vieram o contador aposentado Mário Azevedo Alexandre, de 69 anos, e Eduardo Lima Alves, auxiliar de tesouraria, de 38 anos.

Os prêmios do vice-campeão foram as camisas do time, a minibola, o boné e o livro. O terceiro, o quarto e o quinto colocados receberam cada um camisa do time, minibola do centenário, boné e um exemplar do livro 100 Anos – Sou Mais Briosa.

Todos os prêmios foram entregues pelo diretor-presidente de A Tribuna, Marcos Clemente Santini, e pelo presidente da Portuguesa Santista, Emerson Coelho. Também esteve presente o diretor-superintendente de A Tribuna, Paulo Naef.

Confira o que cada um dos vencedores apresentou:

1) Reynaldo Bahia

À Briosa

Eu sou o Bahia II, mas minha neta digita,

Já que não tenho tanto contato,

Com essa tal tecnologia!

O meu contato sempre foi com a bola,

Na primeira foto quase uma "criançola",

Dando um chute digno de um cartola!

Na segunda foto em uma disputa,

Sempre com a carapuça,

De um jogador de conduta!

Na terceira foto estou imponente,

Contente,

Com o manto que me estende,

Faço com que essa foto, me alimente!

Agora, eu completei 88 anos...

A Portuguesa completou 100...

A diferença de 12,

nos dá muito mais do que uma medalha de bronze!

Que mais aniversários possamos fazer,

E para sempre crescer,

Tanto o amor que o futebol crê,

Quanto a magia de sermos eu e você!

Cavalinho foi inspirado em quadro do Fantástico
(Foto: Arquivo pessoal)

2) Luiz Paulo Neves Nunes

Mandei fazer o cavalinho como os cavalinhos do programa Fantástico da Rede Globo, por perceber a pertinência de trazer elementos lúdicos ao futebol, buscando a atenção das crianças ao esporte ao mesmo tempo que ajudam a trazer um novo perfil aos estádios, mais mulheres, mais crianças, mais idosos, diminuindo assim a presença de torcedores mal-intencionados, violentos e baderneiros.

Aliás, foi isso que me atraiu à Portuguesa. Minha família é predominantemente torcedora do Santos, mas sempre tive medo de frequentar a Vila Belmiro, achei sempre os torcedores muito bravos e/ou violentos. Em Ulrico Mursa, ao contrário, sempre me senti acolhido e seguro. Assim, comecei a frequentar os jogos da Portuguesa em 1994, com 14 anos, assistido os jogos da Campanha que ela subiu da Terceira para a Segunda Divisão (ficou em terceiro lugar).

Lembro de 1996, estava em Ulrico Mursa quando ganhamos do Ituano e asseguramos matematicamente o acesso.

Fui à Limeira, no que foi a "final" do quadrangular da A-2, em 1996, quando perdemos para a Inter de Limeira, mas estava muito feliz, porque o meu time tinha feito um campeonato memorável.

E o Paulista de 2003? chegar nas semifinais foi lindo!

Eu vi a Briosa disputando a Copa do Brasil (uma das poucas equipes que é invicta na competição).

Vi meu time disputar um Campeonato Brasileiro!

E Finalmente, ano passado, em fevereiro, aderi ao programa sócio-torcedor da Briosa. Vi o meu time Campeão e em dezembro fui convidado e ingressei como sócio efetivo da A.A. Portuguesa, o que considero uma das minhas mais queridas conquistas: ser associado ao time que eu torço!

3) Odair Ferreira Ramos

Epopeia Lusitana Santista

Era um domingo; bem cedo, 07 de março de 1965. Eu, com 15 anos, e meu pai, Horácio Ramos, já falecido, fomos a Ulrico Mursa, onde tomaríamos um ônibus em excursão até Campinas. Onde haveria uma epopéica batalha da Briosa, o objetivo era ascender à divisão principal do futebol paulista.

Lá chegando, havia um ambiente hostil, perpetrado por alguns torcedores. Lembro que, ao entrar no estádio, portava uma bandeira de Ponte Preta, com receio de agressões.

Começa o jogo, logo aos cinco minutos, em uma jogada bem tramada, que envolveu os jogadores Lio, Bába e, por último, Samarone, surge o gol da Briosa, que decretou o placar final.

Todos os jogadores foram de indescritível importância para o triunfo final.

Vale destacar; Enaltece-se a figura única de Samarone. Ele foi muito preciso na jogada que culminou com o gol. Porém gostaria de enaltecer a participação decisiva de Bába, que de calcanhar, colocou o samarone em condições especiais na grande área. Foi uma jogada magistral. 

Ressalte-se que a Briosa, além de um bom ataque, tinha uma defesa e meio de campo bons.

Foi uma epopeia Lusitana Santista , que nem mesmo Camões descreveu nos lusíadas; por motivos óbvios: Não são fatos contemporâneos.

Terminado o jogo, houve outro tanto de hostilidade ao sair do campo e de Campinas.

Surpresa agradável tivemos ao chegar na entrada de Santos; havia uma multidão que nos esperava e que nos acenava a cada ônibus que passava. 

Já chegados ao Estádio Ulrico Mursa, havia uma festa, fora uma conquista histórica do Clube. Até hoje lembrada com muito carinho por todos que amam, conhecem e admiram a A.A.Portuguesa. 

Eu, como descendente dessa brava gente portuguesa, tenho, no coração, um único clube; A Briosa. Fico feliz por testemunhado esse feito, assistindo no campo de jogo.

Uma epopeia portuguesa, com certeza.

4) Mário Azevedo Alexandre

Portuguesa Santista, que saudades

Salve o ano da graça de 1958, eu então com meus 10 anos de idade, morando na Vila Belmiro, próximo ao canal 1, minha infância junto com outros colegas do G.E.Azevedo Junior, era jogar bola no Campo da Americana, colher ingá nas árvores do canal 1 e assistir jogos de futebol.

Apaixonado por futebol, íamos sempre assistir a Portuguesa Santista, pegávamos o bonde 1, no curvão, e em pé no estribo, quando o cobrador minha ao nosso encontro, nós íamos para o outro lado, e dando risadas, até que o cobrador, louco da vida, mandava parar o bonde, aí não tinha jeito, íamos à pé, para lembrança de alguns, em frente à Portuguesa, tinha o Morro do Lima (hoje é o Extra).

Assistia não só o jogo, mas também os treinos da Portuguesa, convivia com os jogadores, foi uma fase muito marcante na minha vida, passados alguns anos, já morando em São Vicente, continuava frequentando a Briosa, assistindo seus jogos, seu acesso a primeira divisão, porém um detalhe, não tinha mais bondes.

Tenho boas lembranças de alguns jogadores como Adelson, Gonçalo, Arouca, João Carlos, Dé, Marçal, Samarone, Pereirinha, Norberto, Joel Camargo, Tuíco, Jovenil, etc. morando em São Vicente, precisamente na Rua Campos de Bury, no Parque Bitaru, tive o privilégio de ser vizinho do Gonçalo, quando estava no auge da carreira na Portuguesa, Santos, São Paulo e Fluminense do Rio de Janeiro.

Cheguei a jogar futebol com Gonçalo no campo do Brasil, no final de nossa rua, hoje existe o Forum de São Vicente, nos dias atuais tenho encontrado o Jovenil, que marcou época na Portuguesa e somos bons amigos e trocamos boas lembranças da Portuguesinha como era chamada nos velhos tempos. 

Uma das várias passagem no Estádio Ulrico Mursa, lembro-me, já formado, casado, ia com alguns amigos, assistir aos jogos, e com meu amigo Walter, ficávamos logo abaixo das sociais, próximo ao alambrado, e no intervalo, Walter olha para as sociais, e como se estivesse procurando alguém, com sua voz grave grita:

- Cadê o corno ?

Todos ficaram olhando, e ele retrucou :

- Eu só chamei um. . .

E saiu correndo para se proteger, junto a uma parede, e observei a quantidade de laranjas, bagaços, copos plásticos com casca de tremoços, voando em nossa direção, demos muitas risadas, e ao começar o segundo tempo, ficamos em outro lado, no alambrado, perturbando o bandeirinha, que passava próximo da gente.

Hoje, ainda frequento a Portuguesa, mas discretamente, com meus amigos, pois com quase 70 anos, tenho boas lembranças da nossa querida Briosa, time fundador da Federação Paulista de Futebol, que guardo com carinho no meu coração.

5) Eduardo Lima Alves

Dentre muitos jogos emocionantes que presenciei como torcedor e simpatizante de nossa querida AA Portuguesa, volto ao passado, exatamente ao ano de 1998, para contar minha experiência marcante. 

Dia 12/04, um domingo... Eu e mais alguns loucos pela Briosa aproveitamos uma caravana oferecida pela diretoria na época e fomos até a famosa Rua Javari, na Moóca. A partida era contra o Juventus e valia pelo Torneio da "morte" do Paulistão daquele ano. Um confronto Portugal x Itália, pois se tratava de dois clubes, de duas grandes e importantes colônias que fizeram e ainda fazem a riqueza de nosso país. Era como uma decisão, pois lembro bem que, quem perdesse, poderia ser rebaixado. 

Foi um jogo emocionante, entrega de ambos os lados, muita pressão por parte dos locais, que queriam a vitória a qualquer custo. Porém, o final se fez feliz para nós, com um gol salvador que decretou nossa vitória e permanência na principal divisão futebolística do estado. Lembro da alegria e do alívio estampado nos rostos de guerreiros torcedores e também, da dificuldade pra sair do estádio após o jogo, devido ao clima hostil por parte dos torcedores adversários, uma vez que nossa saída só foi concluída com escolta policial.

Descemos a serra cantando nosso hino e comemorando a vitória e ainda fomos agraciados com ingressos para assistir o próximo e derradeiro jogo que confirmou a Portuguesa na elite. Vitória de 1x0 sobre o Araçatuba em Ulrico Mursa. Foi um domingo inesquecível! 

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