Bertioga sente efeito da falta de resgate na rodovia

Tempo de resposta a acidentes na Rio-Santos aumenta, depois que DER retira serviço

01/11/2017 - 15:00 - Atualizado em 01/11/2017 - 15:09

A coordenadora do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Bertioga, Ana Paula Martins, disse que o fim do serviço especializado de resgate das vítimas de acidentes nas rodovias Rio-Santos e Mogi-Bertioga, mantido pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER), já causou problemas.

A representante da Administração Municipal explicou que o tempo de resposta entre a chamada e a chegada até o usuário aumentou. Quanto maior a demora em resgatar os pacientes, crescem as possibilidades de sequelas e de fatalidade.

“No último final de semana, tivemos nove acidentes nas estradas. O serviço mantido pelo DER fez falta. Foram ocorrências leves e outras mais graves”. 

Desde o último domingo, todos os resgates são feitos exclusivamente pelos bombeiros, que passaram a ficar sobrecarregados. Eles são os responsáveis por retirar a vítima do veículo, em especial quando ela fica presa nas ferragens.

O volume de acidentes registrado pela Polícia Militar Rodoviária (PMR) naquelas rodovias foi 888 ocorrências, de janeiro a outubro de 2016. Dessas, em 521 não houve vítimas. Das outras 367 ocorrências com vítimas, houve 45 mortes (40% delas, ou 18, em junho quando um ônibus que vinha de Mogi das Cruzes para São Sebastião tombou na Mogi-Bertioga. 

Já no mesmo período deste ano, o volume de casos teve queda: 842 acidentes. Desse total, 378 situações tiveram pessoas feridas e 26 pessoas morreram. 

Na avaliação do DER, essa queda de casos é reflexo “do efetivo empenho da fiscalização do policiamento rodoviário” e da educação no trânsito em programas contínuos. 

Em 2016, houve 45 mortes em estradas do Litoral Norte, sendo 18 só em um ônibus (Foto: Carlos Nogueira/AT)

Sem estrutura

Segundo Ana Paula, o Samu não conta com o desencarcerador (equipamento que permite a retirada da pessoa presa nas ferragens) e os bombeiros possuem apenas um, em caminhão grande, que demora mais tempo para chegar no local da ocorrência do que a viatura contratada pelo DER. 

Atualmente, o Samu conta apenas com duas viaturas de suporte básico para atender toda a população de Bertioga, assim como todos os casos que acontecem na Rodovia Rio-Santos, de Caruara, na Área Continental de Santos, até Boraceia, em São Sebastião, e na Mogi-Bertioga, até o trecho da subida da serra.

Sem impacto

A Secretaria de Estado da Segurança Pública informou, por meio de nota, que a equipe dos bombeiros de Bertioga possui uma equipe de salvamento e incêndio disponível 24 horas e que trabalhará de forma integrada com o Samu para atender à população.

No entanto, a pasta não respondeu aos questionamentos sobre qual a estrutura atual da corporação no Município e se haverá reforço de efetivo, veículos e equipamentos para a Cidade.

Deputados e vereadores se mobilizam 

 O deputado estadual Cássio Navarro (PMDB) afirmou que apresentará nesta semana uma emenda no orçamento do próximo ano para que o DER tenha recursos suficientes para retomar o serviço de resgate nas rodovias Rio-Santos e Mogi-Bertioga. 

O parlamentar tomou ciência da situação na última semana, por meio do vereador Luiz Carlos Pacífico Júnior (Pros), e conversou sobre o tema com o líder do Governo na Casa, Barros Munhoz (PSDB).

“O líder explicou que o número de acidentes nas estradas era baixo e que o Samu teria condições de atender a demanda. Mas vejo que os casos devem ser levados em consideração e defendo uma operação diferenciada aos sábados e domingos, fins de semana prolongados e na temporada de verão. Acredito que é possível encontrar uma solução prática para esse impasse”, disse.

Presidente da Comissão de Assuntos Metropolitanos da Assembleia Legislativa, Paulo Corrêa Júnior (PEN) informou que convidará o secretário de Estado de Logística e Transportes, Laurence Casagrande, para dar explicações sobre a não renovação do contrato com a empresa Sansim Serviços Médicos. 

Conforme o parlamentar, os bombeiros estão sobrecarregados e o número de unidades do Samu de Bertioga não supre a necessidade local. Por esse motivo, é preciso saber do Estado quais medidas serão tomadas para a população não ser prejudicada. “É extremamente lamentável que, em 2017, a população tenha que ficar deficitária de mais um serviço. Infelizmente, o acidente ocorrido em junho de 2016, que vitimou 18 jovens, não é suficiente para que esse quadro seja revertido”, frisou ele, ao relembrar o acidente registrado na Mogi-Bertioga.

Já Caio França (PSB) crê que é fundamental que o DER possa apresentar uma alternativa para os usuários da Rio-Santos e da Mogi-Bertioga. “Faremos gestão junto às secretarias estaduais para encontrarmos saídas para essa situação. O grande número de acidentes da rodovia tem que ser considerado”, disse.

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