Bertioga é a única da região a registrar alta de empregos

Município mantém saldo positivo na criação de postos de trabalho nos últimos 5 anos

04/02/2018 - 14:40 - Atualizado em 04/02/2018 - 14:49

Escola inaugurada é reflexo do crescimento das necessidades de mais habitantes (Foto: Rogério Soares/AT)

Um dos principais desafios do Brasil é a geração de empregos. Nos últimos cinco anos, o País fechou 1.323.183 postos formais de trabalho, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Dos 5.570 municípios, apenas 210 não fecharam no vermelho no período. Bertioga é a única cidade da Baixada Santista que integra esse grupo. O segredo? A expansão populacional.

Criada oficialmente em 30 de dezembro de 1991, a cidade caçula da região contabilizou saldo positivo de 679 vagas de 2013 a 2017, o melhor índice em âmbito local. Na avaliação de autoridades municipais, representantes de entidades de classe e sindicalistas, um dos fatores que ajudam a explicar esse fenômeno é o crescimento da população fixa do Município, o que contribuiu para a Prefeitura ampliar serviços e a instalação de novos empreendimentos comerciais.

Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de moradores passou de 48.996 (dado do Censo 2010) para 59.297 (estimativa populacional para 2017), o que representa um salto de 21%. 


Destaques

Os dados do Caged apontam que a administração pública foi o setor que mais contribuiu no balanço positivo dos últimos cinco anos: 322 admissões a mais do que demissões. Isso se deve às contratações temporárias da Prefeitura em Educação (auxiliares de classe e professores) e Saúde (técnicos de Enfermagem e agentes comunitários).

Os setores de comércio e serviços também se destacaram, ao registrar, juntos, 326 mais contratações do que dispensas. Para a presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Bertioga, Adriana Dias Hauschildt, o crescimento da população, em especial a partir dos anos 2000, fez com que o comércio se fortalecesse para atender a demanda local.

Ela cita ainda que, gradualmente, grandes marcas e franquias famosas começaram a se instalar no Município, como Lojas Americanas, McDonald’s, Cacau Show, Império dos Doces e Maria Brasileira, especializada na prestação de serviços de limpeza e cuidados domésticos e comerciais.

“Vejo que muitas pessoas estão na Cidade em busca de uma melhor qualidade de vida. Esse é um dos nossos diferenciais. Isso obrigou a um fortalecimento do comércio e das empresas de serviço. A nossa perspectiva é muito positiva para este ano”, destaca Adriana.

Qualificação

Os novos empregos ajudam a fomentar a economia local e contribuem para a vinda de mais recursos à Administração Municipal, por meio da arrecadação de impostos. Por outro lado, um dos desafios é qualificar a mão de obra, em especial nas áreas de comércio e serviços, e atrair mais investimentos, a fim de atender melhor a comunidade e turistas.

A presidente da CDL entende que é necessário melhorar a qualificação de mão de obra para atrair uma clientela maior. Por isso, espera maior participação da Prefeitura na oferta de mais cursos gratuitos a trabalhadores.

Uma contribuição para preparar os jovens para o mercado de trabalho é dada pelo Instituto Círculo de Amigos do Menor Patrulheiro de Bertioga (Campb), que recruta, por ano, de 150 a 200 aprendizes de 14 a 24 anos. Os escolhidos são direcionados para empresas e instituições parceiras, para atuarem como auxiliares de serviços administrativos, frentistas (atividade restrita àqueles acima de 18 anos) e em outras funções ligadas ao comércio e a práticas bancárias.

“Essa vivência é importante, porque gera maior sentido de responsabilidade nesses jovens e, ao mesmo tempo, serve de ensinamento sobre o que se pode e o que não se deve fazer no mercado. São lições para toda a vida nesse início de caminhada profissional”, frisa o presidente da instituição, José Martins Filho.

Concursos

O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bertioga, Jorge Guimarães dos Santos, defende a necessidade de a Administração Municipal abrir novos concursos para ampliar o quadro efetivo de funcionários. Na avaliação da entidade, há uma defasagem grande de profissionais em diversas áreas, em especial na Educação e na Saúde. “Com o tempo, é natural que haja uma reposição do quadro. Não temos um processo seletivo para contratar novos guardas municipais desde 2002.

Na Educação, o último concurso aconteceu em 2015”, diz. 

O sindicalista também entende que é melhor para a Cidade contratar servidores efetivos para atuar nos equipamentos públicos do que terceirizados, porque a escolha de organizações sociais para gerenciar essas unidades pode causar grandes problemas e prejuízos ao Poder Público e para a população.

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