Policiais civis protestam contra a Reforma da Previdência

Representantes do Sindicato dos Policiais Civis de Santos e Região integraram o protesto na Capital

07/12/2016 - 21:34 - Atualizado em 07/12/2016 - 21:38
Marcio Pinto, presidente do Sinpolsan, disse que o
trabalhador será prejudicado com as alterações

A Reforma da Previdência proposta por parlamentares fez com que uma manifestação ocorresse em frente à Assembleia Legislativa, na capital paulista, na tarde desta quarta-feira (7). Representantes do Sindicato dos Policiais Civis de Santos e Região (Sinpolsan) integraram o protesto, que começou na Avenida Pedro Álvares Cabral e terminou no auditório Franco Montoro.

 De acordo com as novas regras do governo, a população brasileira deverá permanecer no mercado de trabalho até os 65 anos para, então, ter o direito de se aposentar. Haverá exceção apenas para homens, atualmente, com mais de 50 anos e mulheres com mais de 45.

Militares também ficaram de fora, conforme já havia anunciado no Ministro da Defesa, Raul Jungmann, no final do mês passado. Já os civis permaneceram incluídos no texto da PEC 287. 

Para o presidente do Sinpolsan Marcio Pino, a distinção, nesse caso, entre militares e civis foi uma afronta. “Quando algo nos prejudica somos comparados aos militares, quando nos beneficia não. Onde está a coerência?”, disse Pino, que já começa a sentir os efeitos negativos da Reforma da Previdência, com a evasão de civis, em busca da aposentadoria com medo da nova proposta do governo. “Mais uma vez somos vítimas de descaso. Até quando?”.

Para evitar que os policiais civis sejam vítimas de mais uma injustiça, Pino integrou o grupo de manifestantes nesta quarta. “O caminho não é só aqui, vamos para Brasília. Vamos para o Congresso. Policial trabalhando até morrer, isso é o que, a PEC da bengala? Trabalhar até os 65 anos, qual policial tem condição? Então extingue. Se nos detesta, se nos odeia por causa de 2008, extingue. Mas, vai extinguir a polícia que mais produz. Quantos casos já não foram resolvidos a custo zero, apenas por vontade. Vamos ter que provar mais o que? A hora é de mobilização”, afirmou o presidente do Sinpolsan com microfone na mão.

Dados apresentados durante o protesto mostraram a discrepância na idade da aposentadoria proposta pelo governo brasileiro em comparação a outros países. Nos Estados Unidos, são de 20 a 35 anos de serviço, dependendo do estado ou condado, independentemente da idade; na Inglaterra são 25 anos de serviço e 50 anos de idade mínima; no Chile, são 20 anos de serviço e 55 anos de idade máxima; na França, são 27 anos de serviço e mínimo de 52 anos de idade; na Itália, são 33 anos de serviço e mínimo de 53 anos de idade; na Argentina, são de 20 a 30 anos de serviço, independentemente da idade. Para a categoria, isso demonstra o reconhecimento de que a população merece um policial em pleno gozo das suas condições físicas.

Além da questão da idade, os civis expuseram outros pontos prejudiciais da proposta do governo: fim da paridade, inclusive para quem já faz jus à aposentadoria, relativização do direito adquirido quanto à paridade, tempo de serviço e de contribuição, unificação dos limites remuneratórios dos regimes da previdência, os quais terão como teto aquele vigente no regime real (máximo definido pelo INSS), aumento da alíquota previdenciária, possivelmente para o valor de 14%, fim de todas as disposições próprias do regime especial de aposentadoria.

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