Morre aos 76 anos o físico inglês Stephen Hawking

Cientista foi diagnosticado com ELA, doença que compromete os movimentos do corpo, aos 21 anos

14/03/2018 - 02:08 - Atualizado em 14/03/2018 - 02:36

Stephen Hawking se comunicava por um sistema de voz computadorizado  (Foto: Reprodução/Facebook)

O físico inglês Stephen William Hawking morreu na noite desta terça-feira (13), aos 76 anos, em Cambridge, no Reino Unido. A confirmação foi dada por familiares, que não revelaram o motivo da morte. "Estamos profundamente entristecidos pelo fato de o nosso amado pai ter morrido. Ele foi um grande cientista e um homem extraordinário, cujo trabalho e legado vão viver por muitos anos", disseram seus filhos Lucy, Robert e Tim.

Hawking foi diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) quando tinha 21 anos. A doença causa morte dos neurônios motores. Os pacientes perdem a capacidade de se mover, de falar, de engolir e de respirar. Por isso, ele vivia em uma cadeira de rodas e era dependente de um sistema de voz computadorizado para se comunicar com as pessoas.

O cientista surpreendeu médicos em todo o mundo, enquanto vivia apesar da doença, que geralmente leva à morte dentro de anos. Os filhos ressaltaram sua 'coragem e persistência' e seu 'brilhantismo e humor'. "Uma vez, ele disse: 'O Universo não seria grande coisa se não fosse o lar das pessoas que você ama.' Nós sentiremos sua falta para sempre", escreveram.

Um cientista notável

Stephen Hawking, nascido em 8 de janeiro de 1942, era um dos mais conhecidos cientistas do mundo. Em 1977 tornou-se professor da universidade de Cambridge e na década de 80 publicou diversos livros sobre a origem do universo (como o best-seller de divulgação científica Uma Breve História do Tempo, 1988).

Era doutor em cosmologia e professor de matemática na Universidade de Cambridge. Ele também era diretor do  Departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica da mesma universidade. Suas principais áreas de especialidade são cosmologia teórica e gravidade quântica.

Trabalhando na área de cosmologia e astrofísica, principalmente nos problemas ligados aos buracos negros, Hawking descobriu, em 1974, que esses objetos não são completamente escuros, mas emitem radiação térmica. Buracos negros, normalmente formados pelo colapso de estrelas de alta massa, são objetos tão comprimidos e densos que a força gravitacional ao seu redor impede que qualquer coisa escape deles - até mesmo a luz. 

Contudo, Hawking demonstrou que certos efeitos quânticos fazem com que esses objetos emitam uma pequena quantidade de energia. Isso quer dizer que, com o tempo (medido em trilhões de anos), eles evaporam completamente e somem sem deixar vestígios. Essa foi sem dúvida sua mais relevante contribuição científica, que só não lhe valeu um Prêmio Nobel porque ainda carece de confirmação observacional.

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