Aumento de 14,86% na conta de luz começa a valer nesta segunda-feira

Reajuste da CPFL Piratininga vai atingir um milhão de moradores da Baixada Santista

23/10/2017 - 07:30 - Atualizado em 23/10/2017 - 07:52

Reajuste atinge clientes de cidades da Baixada Santista (Foto: Luigi Bongiovanni/AT)

Começa a valer nesta segunda-feira (23) o reajuste de 14,86% na conta de luz para clientes da CPFL Piratininga. Na Baixada Santista, o aumento atinge o bolso de um milhão de pessoas em Santos, São Vicente, Praia Grande, Cubatão e no distrito de Vicente de Carvalho.

A alta foi autorizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Para chegar ao índice, o órgão levou em consideração a variação de custos para a prestação do serviço.

De acordo com especialistas, o percentual ultrapassa e muito a inflação do período e vai pesar no orçamento dos moradores da região. “Não há reajuste salarial que acompanhe esse aumento. E a situação piora para quem está desempregado”, diz o diretor da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), Miguel Ribeiro de Oliveira.

E o mais complicado é que não há como substituir um serviço essencial. A saída é reduzir o consumo e economizar em outras frentes.

“Com o verão chegando, virá uma combinação explosiva ao orçamento, que é aumento na conta de luz e do uso do ar-condicionado. O consumidor pode levar um susto com isso”, alerta a economista Karla Simionato.

Bandeira vermelha

A permanência de um quadro de fracas chuvas até esta semana, como as observadas até agora em outubro, deve levar o País a enfrentar mais uma vez a bandeira vermelha patamar dois, que adiciona R$ 3,50 à conta de luz a cada 100 quilowatt-hora (KWh) consumidos. 

“A continuar com o mesmo desenho que temos até agora, aponta para a manutenção da bandeira vermelha patamar dois”, disse na última sexta-feira, o diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino.

Ele comentou que o cenário hidrológico do País permanece desfavorável e em outubro se observou o atraso do início do período úmido nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, com o registro de chuvas abaixo da média histórica, o que não permitiu qualquer melhora nas condições de armazenamento dos reservatórios. “A expectativa é que em novembro possa finalmente o período úmido entrar na normalidade”, prevê.

Ainda assim, ele salienta que como os preços que determinam o acionamento das bandeiras é volátil, se houver um volume de chuva importante nos próximos dias, o modelo considera essa precipitação e reproduz para frente, ainda que o cenário não seja verdadeiro, o que pode influenciar na definição da bandeira de novembro.

Essa influência de chuvas não esperadas na formação dos preços e na definição das bandeiras mensais vem desagradando o setor e Rufino salientou que na semana que vem a Aneel deve abrir uma audiência pública para reavaliar a metodologia de acionamento das bandeiras. Atualmente a metodologia considera o valor do Custo Marginal de Operação (CMO) para o próximo mês, mas o diretor da Aneel considera que esse valor é muito volátil e defende que além desse preço também seja considerado o nível de armazenamento. “É o que mais importa, olhando para o futuro, qual é de fato a condição de atendimento da carga”.

Segundo ele, isso poderia evitar uma bandeira verde como a observada em meados do ano, quando já se esperava uma hidrologia desfavorável durante o período seco e um forte consumo dos reservatórios. A nova metodologia, disse ele, deve entrar em vigor no ano que vem.

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