Com metrô em greve, funcionários orientam procurar outros meios de transporte

Trabalhadores protestam contra a privatização das linhas

18/01/2018 - 09:34 - Atualizado em 18/01/2018 - 10:24

Greve do metrô lota os ônibus da capital paulista nesta quinta-feira (Foto: Folhapress)

Dezenas de estações do Metrô de São Paulo estão fechadas por conta de uma greve confirmada em assembleia realizada pelo Sindicato dos Metroviários. A paralisação lotou as paradas de ônibus e trouxe mais veículos para as ruas já no início da manhã. 

O transporte por ônibus é uma alternativa para quem tentava chegar ao trabalho, mas nem todos enxergavam viabilidade. "Estou esperando aqui porque pegar ônibus não vale a pena para mim. Chegaria muito atrasado. Caso a estação não abra, vou voltar para casa", disse o encanador José Augusto Pereira, de 35 anos, que aguardava informações em frente à estação Jabaquara, na zona sul, e seguiria para a estação Belém, da linha 3-vermelha. 

O protesto, segundo os sindicalistas, é contra a privatização das linhas 5-Lilás e 17-Ouro, marcada para ocorrer na sexta-feira, dia 19. A greve deve durar 24 horas, de acordo com o anúncio feito pelos metroviários. 

Por causa da confirmação de greve, a Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes (SMT) suspendeu o rodízio municipal de veículos e a cobrança de Zona Azul na capital. Carros com placas final 7 e 8 poderão circular pelo Centro expandido normalmente durante todo o dia.

Moradora da Mooca, na região leste da capital, a balconista Doraci Roque Barbosa, de 27 anos, trabalha próximo à estação Barra Funda do Metrô, na zona oeste, mas os trens da Linha 3 estão parando na estação anterior, Marechal Deodoro. 



Ela entra no serviço às 6h, mas, ao acordar, soube da greve pela televisão e comunicou ao patrão. "Ele disse que se eu chegar às 8 horas, no máximo 8h30, está bom", disse. Ao falar, Doraci olhou o relógio: já eram 7h40 e ela ainda está na estação Bresser-Mooca. 

"Estou esperando que liberem a circulação até a Barra Funda. Será que bão liberar?", perguntou à reportagem. A alternativa da balconista é ir até a estação Brás e pegar o trem. Mas ela teme que a linha da CPTM esteja "caótica". 

Normalmente, para chegar até a estação Bresser-Mooca, Doraci pega um ônibus. Diante da demora para passar um coletivo, ela disse ter imaginado que os motoristas de ônibus também estivessem paralisados. Por isso, a balconista teve que caminhar por 50 minutos de casa até a estação.

Diante da dificuldade para chegar ao trabalho, a preocupação dela já é com a volta para casa. "Como vou entrar mais de duas horas depois hoje, que horas vou sair do serviço? Normalmente saio às 16h30. Mas hoje vou chegar em casa só à noite", lamentou. "A passagem aumentou para R$ 4, mas o transporte não melhora, né?", queixa-se a passageira.

Veja Mais