Conexão Portugal: Na rota de uma catástrofe

O aumento da poluição no Mar Mediterrâneo representa um perigo principalmente para o litoral português, destaca Luiz Plácido nesta edição da coluna

14/06/2018 - 14:00 - Atualizado em 14/06/2018 - 20:34

Praia do Tonel, Portugal: plásticos jogados no Mediterrâneo chegam ao litoral lusitano (Foto Shutterstock)

No último dia 8, foi celebrado o Dia Mundial dos Oceanos. Porém, segundo um relatório da WWF (World Wide Fund for Nature), uma organização não-governamental internacional fundada em 1961, que trabalha no campo da preservação da natureza selvagem e na redução do impacto humano no meio ambiente, não existe muito o que comemorar. Pelo contrário, os dados divulgados pela organização são preocupantes. O relatório conclui que “95% dos resíduos que flutuam no Mediterrâneo são compostos por plásticos” e pede um acordo internacional para eliminar esta poluição.

A Organização das Nações Unidas (ONU) foi outra entidade que aproveitou a data, criada em 1992 durante uma Cimeira da Terra, no Rio de Janeiro, para lembrar ainda que 80% da poluição existente nos oceanos provêm das pessoas que estão em terra. E essa parcela acaba por ceifar a vida a um milhão de aves marinhas e a cerca de cem mil mamíferos a cada ano. São cerca de 5 bilhões de sacolas plásticas utilizadas em todo mundo, com apenas uma quantidade mínima sendo reciclada.

Segundo o estudo, a maior parte desse plástico “é proveniente da Turquia e Espanha, seguida pela Itália, Egito e França. Os turistas que visitam as regiões a cada verão são responsáveis por um aumento de 40% no lixo marinho”.

Os ambientalistas alertam que o Mediterrâneo “corre perigo de se transformar numa armadilha plástica, com nível recorde de poluição causada por microplásticos, que ameaçam tanto espécies marinhas como a saúde humana, já que 20% dos peixes de consumo quotidiano têm microplásticos nos seus estômagos”.

A conclusão do estudo é de que se nada for feito de imediato, até o ano de 2025 teremos acumulado nos oceanos cerca de 250 milhões de toneladas de resíduos plásticos e, até 2050, teremos nos oceanos mais plásticos do que peixes.

Com consequências em todo o mundo, os impactos da poluição do Mediterrâneo podem chegar primeiro a Portugal. Isso porque o país fica na rota de saída deste mar e é o primeiro a sofrer com o efeito da poluição, que pode causar sérios danos tanto para a natureza quanto para a saúde humana. Em Portugal, “os microplásticos predominam nas areias das praias, representando 72% do lixo encontrado em zonas industriais e de estuários”, salienta um comunicado divulgado pela WWF em Lisboa. A organização pede a governos, empresas e cidadãos que adotem ações para reduzir a poluição por plásticos em ambientes urbanos, costeiros e marinhos, não só no Mediterrâneo, mas em todo o mundo, já que este problema afeta todos os oceanos.

Medidas para conter o avanço da poluição têm sido tomadas pela União Europeia. Entre as propostas da organização, está a adoção de um acordo internacional juridicamente vinculativo para eliminar a descarga deste material nos oceanos, com metas para atingir 100% de resíduos plásticos reciclados e reutilizáveis até 2030, além da coleta e reciclagem de 95% das garrafas plásticas até 2025 e a proibição dos produtos plásticos descartáveis, como sacos, copos, talheres, cotonetes e canudos, que devem ser extintos já no ano de 2019.

Dos 27 milhões de toneladas de resíduos plásticos produzidos anualmente na Europa, apenas um terço é reciclado, 27% vai para aterro, uma percentagem que sobe a metade na Itália, na França e na Espanha. O material reciclado representa apenas 6% da procura de plásticos na Europa, aponta o relatório, que propõe, inclusive, a criação de um imposto exclusivo sobre o plástico.

Luiz Plácido é jornalista, apresentador do programa Destino Portugal (transmitido no canal de tv a cabo Travel Box Brazil) e proprietário da agência de turismo Destino Portugal Viagens. Ele escreve na coluna Conexão quinzenalmente, às quintas-feiras.

Veja Mais