Conexão Japão: Resposta ao desastre

Nesta edição da coluna, Yukio Spinosa fala sobre os alagamentos do último sábado no país

13/07/2018 - 17:39 - Atualizado em 13/07/2018 - 18:02

Segundo o Ministério da Saúde, chuvas 245 mil residências ficaram sem água (Foto: AFP)

Ajoelhado sobre uma lona azul, com as palmas das mãos, o primeiro-ministro Shinzo Abe conforta, tocando o braço de um senhor desolado, também ajoelhado e em luto. Sua família foi uma das vítimas dos acidentes causados pela chuva recorde do último sábado na região Sudoeste do Japão, nas províncias de Hiroshima, Okayama e ilha de Shikoku.

A precipitação de dez centímetros por hora foi responsável pela maior inundação dos últimos 36 anos. Na região montanhosa, após a enxurrada, enchentes e deslizamentos de terra destruíram ruas e habitações. A chuva parou e agora o calor atinge 33 graus Celsius. Além da reestruturação, há a preocupação com ataques de hipertermia em milhares de pessoas que estão nos abrigos das prefeituras. 

“Houve muita destruição mas nós vamos responder com suporte governamental e busca de materiais urgentes para a manutenção das vidas das pessoas”, afirmou o primeiro-ministro Abe, que cancelou sua agenda na Europa e Oriente Médio e foi ao local do desastre.

“Entre governo, policiais, bombeiros, forças de autodefesa e guarda costeira, 74 mil funcionários públicos vão garantir a vida dessas pessoas. Vou fazer o melhor que posso, com toda minha força”, disse à imprensa o chefe do gabinete Kan Tsukasa, que providenciou 45 aparelhos de ar condicionado para os refúgios.

O ministro das Finanças, Taro Aso, afirmou ter separado 70 bilhões de ienes (R$2.4 bi) em fundos de infraestrutura para responder a desastres, com 350 bilhões (R$12 bi) em reserva, adicionando que um orçamento extra pode ser considerado, se necessário. Oitenta helicópteros estão dedicados a encontrar pessoas em dificuldades, resgatar e levar para local seguro. A reconstrução das duas linhas férreas também é prioridade.

Empresas tomam atitudes solidárias, como as operadoras de telefonia celular, que estenderam o prazo de pagamento para as contas vencidas. Uma seguradora de carros se comprometeu a entregar novos veículos até o início de 2019, suspendeu a necessidade de renovação do contrato e a cobrança por pagamentos.

A rede de lojas de conveniência Seven Eleven enviou helicópteros para reabastecer 42 lojas na cidade de Kure, na província de Hiroshima. A companhia de telecomunições NTT se apressa para normalizar a internet de fibra ótica na região alagada.

Em todo o país, condolências aos parentes das famílias que passam por difíceis momentos são declaradas nas tradicionais reuniões matinais das empresas. Além da retomada na produção, outra preocupação é com a aproximação do tufão Maria, que já causa destruição no litoral da China.

Na tarde de terça-feira, dois dias após a chuva, o Ministério da Saúde divulgou que 245 mil residências estavam sem água. Autoridades locais disseram à rede NHK que oito mil pessoas estavam em abrigos. Os evacuados estão em locais indicados pelos governos locais de Okayama, Hiroshima e outros treze municípios.

Registros de mortes aumentam e a maior causa é o afogamento. Até ontem, 200 pessoas foram encontradas sem vida e 21 desaparecidos ainda não foram incluídos nesta lista. O esforço para o resgate de sobreviventes e a procura por desaparecidos continuarão durante o andamento das obras de recuperação das cidades. 

Dois milhões de japoneses são agora impelidos a deixarem suas moradias e irem morar temporariamente em abrigos até o governo os remanejar para casas novas, em áreas seguras. Visando diminuir residências em áreas de risco, essa foi a decisão tomada após o grande terremoto seguido de tsunami em Tohoku, em 2011 e na série de terremotos em Kumamoto, na ilha de Kyushu, em 2016.


YUKIO SPINOSA  É JORNALISTA, INTÉRPRETE, TRADUTOR E CONSULTOR PARA PROSPECÇÃO DE PRODUTOS DA INDÚSTRIA JAPONESA.

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