Conexão Irlanda: Copa longe de casa

Nesta edição da coluna, Camila Natalo conta como foi o clima de Copa na Irlanda

18/07/2018 - 13:50 - Atualizado em 18/07/2018 - 14:01

Durante a Copa Dublin segue sua rotina normal (Foto: divulgação)

Neste último domingo, a Copa do Mundo teve fim com a França conquistando seu segundo mundial e, para a tristeza geral da nossa nação, o sonho do hexa foi mais uma vez adiado. 

Aqui na República da Irlanda, apesar de o futebol ser um dos esportes mais praticados, tendo seu próprio campeonato nacional (League of Ireland) desde 1921, o cenário geral nessa época fica longe de ser a festa que é no Brasil. 

A diferença de hábitos e cultura é tanta que, nem se a Irlanda estivesse em campo, a rotina não seria alterada. Segundo os irlandeses, mesmo em 2002, a última vez que a Irlanda se classificou para a Copa do Mundo, os funcionários costumavam ou pedir folga no dia para assistir à seleção da Irlanda ou se contentavam vendo à reprise quando chegassem em casa.

Apesar da Irlanda não ter participado, muitos pubs transmitiram os jogos, inclusive, alguns deles, onde a maior parte da equipe de funcionários é formada por brasileiros, existiam até promoções de rodada de cerveja grátis quando o Brasil marcasse.

Outros pubs bastante frequentados por brasileiros também entraram no embalo de outras formas, promovendo desde churrascos quando a Seleção jogava, até mesmo rodas de samba após o final da partida.

No meu caso, apaixonada por Copa e futebol, tenho que dizer que foi bem atípico estar trabalhando durante os jogos do Brasil. A minha saída foi assistir ao primeiro tempo durante meu horário de almoço. Acompanhada de outro brasileiro, sentamos na cantina da empresa e assistimos pelo celular, com a torcida bem contida. Bem diferente da realidade da maior parte dos brasileiros.

Se a comunidade brasileira já é enorme aqui em Dublin, quando o Brasil entrava em campo ficava maior ainda. O chamado patriotismo aflorava nos corações, porque quando se trata de futebol e Copa, ser brasileiro é algo grandioso. O verde e amarelo tomava conta das ruas, dos comércios e, claro, dos pubs. 

Lá encontrávamos torcidas de todos os lugares, mas nos embates envolvendo o Brasil, a animação e energia eram tão contagiantes que, por um momento, até dava para esquecer que estávamos em outro país. Principalmente no início de cada confronto, com as vozes unidas cantando o hino em alto e bom som. 

Nossa torcida é barulhenta e muito empolgada. Porém, ao mesmo tempo que me sentia um pouco em casa, batia aquele negócio chamado homesickness e a saudade aumentava: pensamentos sobre meu antigo modo de vida, trabalho, rotina, família, amigos... era “só” uma partida de futebol, mas a emoção aflorava e as lágrimas escorriam. 

Uma coisa que nunca achei que fosse sentir falta era da narração brasileira. Os jogos a que assisti eram transmitidos pela TV local, e preciso dizer, a narração é muito sem graça! Não temos as piadas, nem a investigação sobre os oponentes. Não tem o destaque sobre a nossa Seleção e, sobretudo, não tem o grito de gol. Empolgação é uma palavra inexistente. Mas se existe um lado bom em estar longe de casa nessas horas é que a tristeza e a dor da derrota passam muito mais rápido. Ainda que por aí tenhamos tantos outros problemas maiores para nos preocupar, a derrota do Brasil é quase que mais uma pancada nessa vida tão cheia de mazelas.

O sonho do hexa e de ver a nossa belíssima terra prosperar, de poder ver os brasileiros viverem aí com a qualidade de vida e segurança com que vivo aqui, continua. Acredito que muitos compartilham do mesmo sonho e cada um de nós pode ajudar a conquista-lo. As eleições estão aí, não é mesmo?

Camila Natalo  é natural de Itanhaém, bacharel em Comunicação Social,  com habilitação em jornalismo. Ela escreve na coluna Conexão quinzenalmente, às quartas-feiras.

 

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