Conexão Espanha: Táxis x Uber

Nesta edição, Janaína Lemos fala sobre a briga entre taxistas e motoristas de aplicativos no país

02/08/2018 - 15:57 - Atualizado em 02/08/2018 - 16:31

Motoristas de táxi protestam em Barcelona (Foto: Josep Lago/AFP)

É verão. O sol arde e os turistas não param de chegar a Barcelona. Nem bem pisam em solo catalão e já se deparam com um problema: como chegar ao destino? Isto porque desde quinta-feira passada não há táxis operando na cidade. Estão em greve. O motivo é aquele que já conhecemos bem: protestam contra as concessões de licenças para condutores de veículos ligados a aplicativos, como Uber e Cabify, os chamados Veículos de Transporte com Condutor (VTC).

Os barceloneses puxaram a fila, mas o movimento ganhou mais adeptos a partir do fim de semana, quando taxistas pararam em Madrid, Valência, Extremadura e outras das grandes cidades do país. Foi então que os motoristas resolveram acampar em grandes vias destas cidades, dificultando o tráfego. O Ministério de Fomento tem trabalhado e muito desde então, na tentativa de apaziguar os ânimos e chegar a um bom acordo que devolva às ruas este tipo de transporte. No mínimo, que sejam atendidos os casos de emergência. 

O movimento grevista não começou tão pacífico assim. Foram atacados vários carros de VTC, inclusive com passageiros. Há imagens de ataques bastante agressivos, a pauladas e pontapés, houve veículos pichados e até tombados dentro de estacionamento. Desta forma, além de não contar com o serviço dos táxis, moradores e turistas sofrem com a redução na frota dos alternativos, que garantem ter medo e, muitas vezes, necessitam escolta e acompanhamento para trabalhar. Eles prometem denúncias na Justiça, sinalizando que a briga deve continuar mesmo diante do fim da greve.

Convencidos de que a concorrência é desleal, uma vez que os VTC pagam menos impostos e taxas para trabalharem, taxistas afirmam que não está sendo obedecida a norma que regulamenta o funcionamento dos aplicativos.

Em toda a Espanha existem quase 65 mil licenças de táxis, a maioria em Madrid (24%), seguida por Barcelona, onde eles são 10.700. As concessões de VTC também são maiores na região da capital (4.308), em segundo está Andalucía (1.478) e a Catalunha vem em seguida (1.457). Em quase todos os países, o número de táxis nas ruas é bem superior aos de VTC, mas existem cidades, como Londres, em que os carros dos aplicativos chegar a bater até cinco vezes o de táxis.

O turista que chega reclama ao se deparar com a problemática, também há moradores se queixando, mas os comerciantes assinalam a queda nas vendas na época mais forte do ano pra eles, pois muita gente opta por ficar perto dos hotéis ou simplesmente não se sente à vontade para tomar transporte público com sacolas de compras.

 O drama completa uma semana e, acampados na Gran Via dels Corts Catalans, os grevistas improvisam banheiros nos bueiros, tentam driblar o calor com piscinas plásticas e chegam a promover festas durante as noites. Nada disso é bem visto até por pessoas que veem legitimidade no protesto. Mas eles garantem que não arredam pé até que o governo resolva a situação (não vale promessa) por meio de decreto, imediatamente.

No mais, estamos em plena onda de calor, com promessa de mais de 40 graus de temperatura durante os dias, que se estendem até as 22 horas, como já havia comentado na última coluna.

Ahhh! O PP já tem presidente! O nome dele é Pablo Casado, tem 37 anos e indica ser a opção mais conservadora do partido. E, vamos que vamos: de ônibus, metrô ou a pé (apesar do sol forte)!

JANAINA LEMOS  É JORNALISTA E ESCREVE NA COLUNA CONEXÃO QUINZENALMENTE, ÀS QUINTAS-FEIRAS.

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