Conexão Espanha: Quer vir pra cá?

Nesta edição da coluna, Janaina Lemos fala sobre trâmites para migrar para a Espanha

13/09/2018 - 16:27 - Atualizado em 13/09/2018 - 16:41

Para viajar à Espanha a passeio não é necessário visto (Foto: Pixabay)

Desde que cheguei à Espanha, amigos e conhecidos vivem me perguntando sobre os procedimentos para sair do país e como é morar fora. Vamos falar sobre a burocracia, as dores e as delícias desta troca radical de residência.

Se o seu objetivo é vir à Espanha a passeio, fica tudo muito fácil. Brasileiros podem permanecer na Terra de Cervantes até três meses legalmente como turistas. Não é necessário visto ou preocupação. Comprar as passagens, escolher a rota e ser feliz.

Agora, se o que você planeja é estudar na Espanha por mais de 90 dias, terá que tomar algumas providências. Pra começar, vai precisar de uma autorização do consulado espanhol. Ali vão te exigir, além do passaporte válido, comprovante de matrícula na escola por aqui, um plano de saúde internacional e comprovação de que tem euros suficientes para passar o tempo necessário.

Por exemplo, se pretende fazer um master profissional, que costuma ter duração de nove meses por aqui, vai ter que levar os extratos bancários para o governo espanhol avaliar e ver se tem condições de se manter por este tempo sem problemas.

A turma do visto também vai querer examinar seus comprovantes de declaração de imposto de renda dos últimos dois anos e, ainda, o atestado da polícia certificando de que não deixa nenhuma bronca pra trás. E fará uma entrevista rápida. Nem pense em usar seu jeitinho brasileiro, que não vai colar! E o visto de estudante te concede direito a trabalhar por até 20 horas semanais por aqui, mas tome cuidado com as letras miúdas neste caso, para não contar com algo por antecipação.

Sem ilusões: estudantes estrangeiros podem estagiar na Espanha, ou seja, se você conseguir trabalhar por meio período, será por pouco dinheiro e, claro, na área que você escolheu estudar.

Para conseguir um visto de longa permanência, para trabalhar por exemplo, é necessário levar um contrato de trabalho de uma empresa junto com os documentos lá no consulado. Neste caso, não precisa provar que tem tanto dinheiro na conta, porque é como que se a empresa se responsabilizasse por você. Lembre que seu visto vai ter a duração do contrato e as mudanças devem ser sempre comunicadas.

No caso de cidadãos europeus, ou seja, se você nasceu em um país da Europa ou tem direito à cidadania por sua ascendência, pode viver na Espanha sem muita burocracia. A única exigência é obter o documento que comprove sua nacionalidade. Esta regra também se aplica às pessoas casadas com europeus.

Em qualquer destes casos, para viver por aqui é obrigatório ter o Número Internacional de Estrangeiro (NIE), que pode ser de estudante, provisório ou comunitário, ou o Documento Nacional de Identificação (DNI), no caso de cidadão espanhol.

Para conseguir uma carteirinha como esta, é necessário ter um endereço fixo na Espanha – comprovado pelo o que chamam por aqui de empadronamento, que é tirado nos escritórios das administrações locais –, foto, passaporte e autorização do governo espanhol, seja pelo consulado (no caso de trabalho ou estudo, por exemplo) ou por aqui mesmo (no caso de casamento).

Bom ... Mas se sua intenção é fugir da burocracia, saiba que por aqui o processo é enrolado, demorado e cansativo. Informação não é algo tão simples de se obter e tudo, exatamente tudo, é feito com hora marcada nos escritórios do governo espanhol. Parece fácil? Só que o prazo para ser atendido está quase como o de uma cirurgia eletiva pelo SUS, quer dizer, pode levar mais de três meses. Portanto, antes de meter as caras, pesquise e se programe para não se aborrecer. Outra dica importante: busque saber sobre a cultura, o clima e a situação atual do local pra onde pretende ir. Mesmo que seja só a passeio, aprender nunca é demais e, se pretende se mudar, tudo o que pode dar errado é se frustrar com o lugar escolhido. Agora, se é um sonho, te pergunto: está esperando o quê? 


JANAINA LEMOS É JORNALISTA E ESCREVE NA COLUNA CONEXÃO QUINZENALMENTE,

ÀS QUINTAS-FEIRAS.

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