Campanha sobre perigo de sono ao volante é implantada em São Paulo

Nas estradas haverá distribuição de materiais alertando sobre os riscos de dormir na direção

18/03/2017 - 10:19 - Atualizado em 18/03/2017 - 10:49

A Academia Brasileira de Neurologia (ABN), com apoio da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) e da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), começou a implementar as ações da campanha “Não dê carona ao sono”, lançada na última quinta-feira (16), na capital paulista. A meta é chamar a atenção dos motoristas para os perigos da mistura sono e direção, que pode ter as mesmas consequências da mistura do álcool com o volante.

Nas estradas, haverá distribuição de materiais em pedágios. Nas rodovias paulistas, serão disponibilizados um milhão de folhetos. No estado de São Paulo, de 24 a 31 de março, em seis pontos de parada e descanso (Ppds) serão realizadas pesquisa e orientação aos motoristas em um trabalho de conscientização.

Os motoristas passarão por aferição de pressão arterial, circunferência abdominal e circunferência cervical. Serão feitas avaliações de outros fatores de risco para problemas como apneia obstrutiva de sono e outras condições que possam aumentar as chances de acidente no trânsito.

Segundo dados da ABN, embora causem vários sintomas como sonolência, fadiga, alterações do humor e da concentração, os distúrbios do sono ainda são subdiagnosticados. Um dos transtornos do sono mais frequente, com prevalência de cerca de 33% em São Paulo, é a apneia obstrutiva do sono (AOS), condição em que a garganta relaxa durante o sono e interrompe a passagem de ar para os pulmões.

A pessoa precisa acordar para respirar melhor, voltando a dormir em poucos segundos. Essas interrupções podem se repetir mais de 60 vezes por hora, levando à fragmentação do sono.

“Fadiga, sonolência diurna e déficit da atenção e da concentração são consequências naturais e indivíduos com AOS apresentam risco até sete vezes maior de acidentes. Reconhecer e tratar a AOS é fundamental. Além do risco de acidentes, a doença aumenta a probabilidade de arritmias cardíacas, pressão alta, ataque cardíaco e AVC (Acidente Vascular Cerebral). Na direção, o sono reduz o alerta e a atenção, aumenta tempo de reação e compromete a tomada de decisões, independente de o motorista cochilar ao volante ou não.”, diz a ABN.

De acordo com a entidade, entre 10% a 15% da população sofrem com insônia (dificuldade para dormir) que, junto com outros transtornos do sono, pode comprometer a capacidade de dirigir. São mais propensos a dirigir sonolentos motoristas profissionais, indivíduos com transtornos do sono não diagnosticados, adultos de 18 a 29 anos (71%), homens (56% x 45%), adultos com crianças em casas (59%) e trabalhadores de turnos (36%).

Apesar de poder afetar todos os tipos de acidentes durante qualquer período das 24 horas do dia, os efeitos decorrentes de sonolência ocorrem com mais frequência entre a meia-noite e às 6h da manhã ou entre às 14h e às 16h, períodos em que o corpo humano apresenta maior propensão ao sono.

“A sonolência ao volante está associada a um grande número de acidentes. Assim como a ingestão de bebidas alcoólicas e o uso de celular ao dirigir, [a sonolência] é um comportamento de risco perfeitamente evitável”, disse a vice-coordenadora do Departamento Científico de Sono da ABN, Lívia Gitaí.

Veja Mais