Whindersson Nunes fala dos fracassos até ser a personalidade mais influente do País

Com 25 milhões de inscritos no YouTube, ele tem um novo desafio na mira: o cinema

07/12/2017 - 21:49 - Atualizado em 07/12/2017 - 22:02

Whindersson está longe de ser, como ele mesmo diz, um “doidinho que teve sorte nos vídeos que publica na internet”. Tanto é que amargou muitos fracassos na web até se tornar, de acordo com pesquisa do Google, a personalidade mais influente do Brasil em 2017.

Isso sem contar que, no ano passado, foi eleito o segundo youtuber mais influente do mundo – ficando atrás apenas do sueco Felix Kjellberg, o PewDiePie, que tem 57 milhões de inscritos no seu canal, contra os 25 milhões do brasileiro.

Natural de Bom Jesus, no Piauí, Whindersson também acumula bons resultados nos shows de stand up comedy que tem realizado, inclusive, nos Estados Unidos e na Europa. Seus próximos desafios são lançar um curso on-line para quem quer bombar nas redes sociais e obter reconhecimento no cinema.

Na telona, o humorista e influenciador digital de 22 anos pode ser visto em Os Parças. Dirigida por Halder Gomes (O Shaolin do Sertão), a comédia traz Whindersson como Ray Van, membro de um grupo de golpistas de São Paulo que, para não entrar numa fria, se desdobra para organizar o casamento da filha do maior contrabandista da Rua 25 de Março – completam a trupe Toinho (Tom Cavalcante), Pilôra (Tirullipa) e Romeu (Bruno de Luca).

No bate-papo a seguir, Whindersson, que está noivo da compositora e cantora Luísa Sonza, do Rio Grande do Sul, admite ser “um cara muito família” e fala também sobre o seu empenho para ajudar pessoas e entidades que precisam. 


CINEMA Os Parças é o primeiro filme em que não interpreta você mesmo. Pretende investir na carreira de ator?

Tenho essa vontade, sim. Trabalhos como esse ajudam a engrandecer o meu lado artístico, são uma forma de crescimento. Se pensarmos bem, os shows de humor que faço no teatro já envolvem um pouco de interpretação. Como acontece no cinema, tudo o que apresento no palco é em cima de um texto. E Os Parças me leva realmente para um lado mais sério e comprometido da atuação.

Tem mais filmes em vista?

Sem dúvida quero reforçar a minha relação com o cinema. Já estou até tentando viabilizar um projeto para, no próximo ano, fazer dois ou três filmes. Tomara que esse plano dê certo e que eu embale nessa carreira.


Ao contrário do que vemos nos vídeos e no teatro, Whindersson é um cara família. (Foto: Divulgação)


RECONHECIMENTO Como encara o resultado da pesquisa do Google que o elegeu a personalidade mais influente do País neste ano?

Isso não foi de uma hora para outra, tive de percorrer um longo caminho. Demorei uns quatro anos para emplacar. Nasci em Bom Jesus, no Piauí. Fui garçom, descarregava caminhão... Um dia, me inscrevi em um curso técnico para ver se conseguia trabalhar com computador, que era algo de que eu gostava, e no estágio observei as pessoas preparando vídeos.

Quis fazer aquilo também. Aí, comecei a postar vídeos. Matava aulas para que eles ficassem prontos, mas, quando ia olhar, tinha três likes. Foram muitos vídeos com 150, 300 views. Eles eram ruins mesmo. Eu pensava: “Tenho de parar, porque não está funcionando, ninguém está gostando”.

E você realmente deu um tempo?

Sim. Depois, resolvi criar outro canal e parei de novo... Até que, em 2012, fiz a paródia Alô, Vó, Tô Reprovado (versão de Vó, Tô Estourado, da banda Forró do Movimento). O canal explodiu, só que foi hackeado e excluído, acredita? Mesmo assim, voltei com ainda mais vontade para fazer vídeos para o YouTube. Fui notando o que estava errado, o que não devia fazer e estourei em visualizações.

Pensa que sou um doidinho que teve sorte nos vídeos que publica na internet? Não fui para a universidade, mas estudei humor, pesquisei tudo o que pude e pedi dicas e ajuda para profissionais do meio.

Nos seus trabalhos, obedece algum método de preparação?

Não sigo nenhum processo específico. Vou conforme a onda, para onde cada projeto me leva. E é fato: gosto de me preparar bastante, pois tem muita gente tentando fazer a mesma coisa. Vai que, de repente, estou aqui achando que está tudo bem e surge um doidinho mais esforçado que me supera. Preciso sempre estar pronto para o que vier.

DESAFIO O que foi mais duro nesse caminho rumo ao sucesso?

Acredito que engrenar no stand up foi o mais difícil, porque, no começo, eu não tinha público. Houve toda uma luta para tentar trazer as pessoas ao teatro para me ver. Foram vários shows vazios. Demorou de verdade para os meus espetáculos funcionarem. Acho que essa foi a parte mais difícil da minha carreira até hoje.

Como explica a resistência inicial do público?

Tive que enfrentar o seguinte comentário de boa parte das pessoas: “Esse cara é da internet e, agora, quer fazer stand up?” Isso existiu, de verdade. Hoje, graças a Deus, as coisas andaram e mudaram de figura. Tem sido mais fácil de um tempo para cá. E a bagagem do stand up me deu uma base para encarar o papel em Os Parças.

Você acaba de voltar de uma turnê pela Europa e, um pouco antes, se apresentou nos Estados Unidos. Qual o balanço que faz dessa experiência internacional?

Ela significa tudo para mim, porque nunca pensei nem em ir a passeio para lugares, por exemplo, da Europa. Imagina estar lá a trabalho, tendo um público grande, que realmente quer me assistir e que comprou os ingressos com muita antecedência...

Fiquei feliz que as entradas venderam rapidamente. De vez em quando, olho tudo o que conquistei no humor e lembro do que passei, do que me assombrou, mas quem vive de passado é velho, né? (risos)

MEDO Alguns youtubers admitem que ficam preocupados com a possibilidade de a fama, de uma hora para outra, acabar. Lida com isso de que forma?

Todo artista tem esse tipo de pensamento. O que é bom para a gente se precaver, pois ajuda a evitar aquela ideia de que estamos no topo e de que nada pode nos abalar.

Mas, sinceramente, essa não é uma questão que me assombra. Ponho na minha cabeça que tenho de fazer o meu melhor hoje e que o futuro será uma consequência disso.


>> Veja o trailer de Os Parças



FAMÍLIA O Whindersson do dia a dia é muito diferente daquele que estamos acostumados a ver nos palcos e no YouTube?

Normalmente eu sou mais quieto do que quando estou nos vídeos e nos shows. Diria que sou até meio tímido.

Nos seus espetáculos, há várias piadas sobre a sua infância e a sua família. Em contrapartida, você tatuou as palavras mãe e pai com um coração no antebraço direito. Como fica isso?

Sou um cara muito família e caseiro. Me mudei para São Paulo ainda não tem nem um ano e vivo com saudade de casa. Sempre que posso visito os meus pais no Piauí. Deus me ajuda a ter um tempinho para viajar para lá e ficar com a família.

ORIGEM A maioria dos protagonistas de Os Parças, assim como os atores que os interpretam, é do Nordeste. Só que, ao contrário do seu personagem, você demorou para trocar sua terra natal por São Paulo. Foi difícil para se adaptar?

Relutei demais para vir para São Paulo. Apenas me mudei porque é mais simples pegar voos aqui do que lá no Nordeste. E não saí do Piauí direto para São Paulo. Primeiro fui de Bom Jesus para Teresina. Em seguida, morei por um período em Fortaleza (Ceará) e, aí sim, vim para São Paulo.

Tem outro ponto: enquanto os nordestinos costumam deixar suas cidades para tentar a sorte no Sudeste, me mudei quando já estava estruturado, com a vida estabilizada, graças à internet. 

Os golpistas de Os Parças aprendem na marra a organizar um casamento para ganhar dinheiro. Tenta dominar o assunto, já que está noivo?

Entendo mais ou menos de organização de casamento. Vou te falar que, ao mesmo tempo em que estou inteirado nesse universo, me sinto por fora dele (risos). Mas, no final das contas, tudo dá certo.

SOCIAL Algo que chama bastante a minha atenção é o quanto você aproveita o sucesso para encabeçar ações para ajudar pessoas e entidades.

É uma maneira de retribuir, sabe? Acho que, já que tenho o suficiente para viver e dar uma casa legal para minha mãe, quero ajudar as pessoas que precisam. Procuro fazer o que posso, o que está ao meu alcance. 


 

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