Uso indiscriminado de óleo de coco pode trazer riscos à saúde

Produto se difundiu no mercado mundial nos últimos anos e é utilizado na culinária e em cosméticos

09/09/2018 - 14:39 - Atualizado em 09/09/2018 - 15:05

Produto já foi apontado como saudável e capaz de prevenir doenças (Foto: Hafiz Issadeen/Flickr)

Mais do que benefícios ou malefícios no consumo de óleo de coco, sobram controvérsias a respeito desse produto que se difundiu no mercado mundial nos últimos anos. 

As divergências estão principalmente no uso culinário da substância, utilizada também em larga escala para cosméticos, na fabricação de cremes, sabonetes e outros produtos, segmento no qual se mostra comprovadamente eficaz.

Até pouco tempo, o óleo de coco era apontado como saudável e capaz de prevenir doenças, mas seu uso indiscriminado pode trazer riscos. A tese ganhou mais força no mês passado após a declaração da professora e pesquisadora de Harvard, Karin Michels. Ela chamou o produto de “veneno puro”. A palestra Óleo de Coco e Outros Erros Nutricionais viralizou na internet e reacendeu a polêmica.

Por aqui, a Associação Brasileira de Nutrologia já se posicionou publicamente contra a prescrição do produto na prevenção ou tratamento da obesidade, de doenças neurodegenerativas e, ainda, para fortalecer o sistema imunológico. 

A recomendação do uso do óleo de coco para esses fins acabou encontrando embasamento em pesquisas preliminares com adultos, que resultaram em redução de medidas na cintura e nos  índices do colesterol ruim (LDL). “Um número muito pequeno de estudos, com resultados controversos, tem relatado os efeitos do óleo de coco sobre o peso corporal em seres humanos”, ponderou a entidade. “Não foram observados estudos conclusivos que confirmem estes benefícios até o momento”, concorda a nutricionista Lorena Barros Storto, do Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim (Cejam), da Capital.

Para Luana Pilon Jürgensen, nutricionista e mestre em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o óleo de coco não é indicado para o uso cotidiano, “muito menos em preparações que vão ao fogo. Ele contém uma gordura com  ponto de fumaça muito baixo e isso quer dizer que é capaz de gerar compostos tóxicos mesmo em temperaturas menos elevadas”.

Além disso, segundo  Luana, a composição do produto é basicamente de gordura saturada, considerada um tipo prejudicial ao organismo. O consumo acima do ideal aumenta os índices de LDL, podendo causar sobrepeso e aumentar a possibilidade de infarto, Acidente Vascular Cerebral (AVC) e outras doenças.


Composição

A substância tem nada mais nada menos do que 86% de gordura saturada em sua composição. O ideal é consumir até 25 gramas deste tipo de gordura diariamente. Duas colheres de sopa cheias de óleo de coco já ultrapassam o limite recomendável. Se você trocou óleos tradicionais, como de soja, pelo de coco para cozinhar, certamente usará mais do que essas duas colheres na preparação do almoço, só para exemplificar.

“O uso de óleos vegetais com maior teor de gorduras insaturadas (como soja, oliva, canola e linhaça), com moderação, é preferível para redução de risco cardiovascular”, declarou a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, em seu posicionamento oficial a respeito do produto.

A nutricionista Érika Souza, da clínica Fisio&Forma, de São Paulo, pondera que ele tem vitaminas lipossolúveis que fortalecem a imunidade, mas isso não é suficiente para indicá-lo  com segurança enquanto pesquisas definitivas não forem realizadas. “O impasse sobre a utilização dos chamados superalimentos sempre vai existir ao passo que novos estudos se fazem necessários para a comprovação de suas reais características e efeitos no organismo”, afirma.

Para Erika, esses alimentos podem ser consumidos desde que de forma moderada, sob orientação de um profissional e associados a uma alimentação equilibrada. “Não é apenas com o óleo de coco. O consumo indiscriminado de qualquer alimento pode ocasionar malefícios à saúde. Os vilões da vez permanecem sendo o glúten e a lactose, porém, dependendo do foco e do biotipo de cada paciente, podem e devem ser parte de uma alimentação equilibrada”.

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