Pesquisas comprovam: dinheiro não compra felicidade

A saúde mental em dia também tem muita importância na felicidade das pessoas

08/03/2017 - 17:15 - Atualizado em 08/03/2017 - 17:15
Ter parceria de amor e fazer o que se gosta valem mais do que dinheiro (Foto: shutterstock)

Ter boa saúde mental e estar em um bom relacionamento deixam as pessoas mais felizes do que dobrar de renda, aponta estudo. A London School of Economics, no Reino Unido, entrevistou 200 mil pessoas na Austrália, Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos sobre os fatores que mais influenciam sua sensação de bem-estar. E ter um parceiro liderou positivamente essa lista. “As evidências mostram que as coisas que mais importam para a felicidade são nossos relacionamentos e nossa saúde física e mental”, afirma o coautor do estudo Richard Layard, economista que iniciou há alguns anos um movimento para criar uma sociedade mais feliz e compassiva, chamado Ação para Felicidade. 

Layard defende que os governos se preocupem não apenas com a geração de riqueza, mas também com a geração de bem-estar. “A pesquisa dá ênfase à saúde mental e emocional, e manda uma mensagem aos governantes. E o que cada indivíduo pode fazer? Cuidar para não ficar doente de alma, porque a cura não está em ganhar mais dinheiro. E quanto a mostrar o impacto positivo de se ter um(a) parceiro(a), também chama atenção para o fato de muitas pessoas se sentirem sozinhas, mesmo tendo um milhão de amigos nas redes sociais”, comenta Santiago Carballo, coach e designer de futuros no movimento cultural Tâmusaê. 

A cidade que dá mais bem-estar

A personal organizer Maria Augusta Arruda deixou São José dos Campos para viver em Santos, por ser um lugar que faz bem à saúde física e mental: “Na minha idade, 63 anos, morar em Santos me trouxe um leque de opções para uma vida saudável. Embora tenha problemas, é ideal para quem gosta de dançar, de teatro ou de esportes. A praia e o jardim da orla me fascinam”.

Ricos também choram

O lendário CEO da Apple Steve Jobs certa vez disse que não queria ser a pessoa mais rica do cemitério. “Toda fortuna do mundo não paga paz de espírito, saúde e afeto verdadeiro”, opina a empresária Taís Santos, que leu recentemente que a filha do fundador do Bradesco, Lia Maria Aguiar, de 77 anos, registrou em testamento seu desejo de que todo seu patrimônio bilionário fique para a fundação beneficente que criou seis anos atrás, em Campos do Jordão (SP), para atender menores carentes, e que leva seu nome. “Ela deve ter sentido uma felicidade enorme com essa atitude”.

Não há unanimidade

Heloisa Motoki, há 18 anos no mercado contábil, concorda com a pesquisa sobre dinheiro não trazer felicidade, pois, lidando com empreendedores, enxerga que o salário está deixando de ser um fator que motiva as pessoas a ficar nas empresas. “Os jovens de hoje se preocupam mais com o bem-estar, buscando equilibrar qualidade de vida e carreira. Ou seja, o profissional não quer viver só para o emprego e não ter tempo para a família e os amigos”, analisa essa contadora.

Ainda assim, Heloisa pondera que há pessoas que topam se dedicar ao trabalho 12, 14 horas por dia para receber maior remuneração, mas por um curto prazo, já tendo um plano em paralelo de mudança com esse dinheiro acumulado. 

Já Maria Augusta pensa que dinheiro traz, sim, felicidade. “Sem ele, não realizo projetos pessoais como viajar ou investir na minha carreira. O trabalho dignifica a pessoa. Eu preciso dele e ainda amo o que faço. Mesmo que meu lucro seja menor, para adequar ao mercado, tanto eu quanto meus clientes atingem satisfação plena”, conta ela.

Transmitindo aos filhos

“É difícil ensinar às novas gerações sobre essa relação amor-dinheiro-felicidade, já que nós não tivemos essa educação, não estamos num país rico (como os da pesquisa) e muitas vezes ficamos inseguros se esse é o caminho”, admite Heloisa, que é mãe da Leticia (12 anos) e do Jonathan (6 anos). Mas ela está certa de uma coisa: “Hoje, vejo que os jovens estão entrando cada vez mais tarde no mercado de trabalho, começam a faculdade sem conhecer nada da área e muitas vezes ficam pulando de curso em curso, pois o fator de decisão foi apenas o dinheiro”, constata a contadora. 

Dez chaves para uma vida mais feliz

A Ação para Felicidade tem como patrono Dalai Lama, vários estudiosos da psicologia positiva ligados a institutos e universidades internacionais como consultores e mais de 60 mil membros espalhados pelo mundo – inclusive paulistas e brasileiros de outros seis Estados, que formaram grupos locais para agir coletivamente. Considerando as últimas pesquisas científicas sobre as causas da satisfação e bem-estar, o movimento chegou a dez chaves para uma vida mais feliz:

1. Cuide do corpo fazendo exercícios. 

2. Conecte-se com as pessoas.

3. Repare no mundo ao seu redor. 

4. Doe-se. 

5. Continue aprendendo. 

6. Tenha propósito, seja parte de algo maior. 

7. Cultive sentimentos construtivos. 

8. Tenha objetivos. 

9. Saiba reagir e continuar. 

10. Aceite-se, esteja bem consigo.

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