Maria Fernanda Cândido vive personagem cheio de dilemas familiares

Após dez anos longe das novelas, atriz comenta as reviravoltas da personagem

04/08/2017 - 18:02 - Atualizado em 04/08/2017 - 18:12

Atriz acredita que novela vai ajudar a refletir sobre a transexualidade (Foto: João Miguel Júnior/TV Globo)

Em A Força do Querer, trama das nove da Globo, Joyce, personagem de Maria Fernanda Cândido, vê a sua vida desmoronar dia após dia. Desde o início da novela, a convivência com a filha, Ivana (Carol Duarte), foi marcada por conflitos e tende a se agravar agora que a jovem finalmente descobriu a sua transexualidade. Fora isso, Joyce enfrenta a traição do marido, Eugênio (Dan Stulbach), com Irene (Débora Falabella), que, até há pouco tempo, pensava ser uma amiga. Na entrevista, a atriz de 43 anos fala sobre as divergências entre Joyce e Ivana e como a personagem deve reagir ao saber que a filha é trans. Além disso, Maria Fernanda comenta a sua volta aos folhetins após quase dez anos – já que a última novela inteira da qual participou foi Paraíso Tropical (2007) – e dá detalhes da parceria com o psicanalista santista Jorge Forbes no programa TERRADOIS, da Cultura.

Como a Joyce vai lidar com a transexualidade da Ivana?

Durante a novela, o castelo da Joyce vai sofrendo alguns abalos. Então, a gente está entendendo que tipo de estrutura psicológica e emocional ela vai ter para lidar com esses conflitos do mundo contemporâneo. Existem os novos afetos, as novas relações de trabalho, a manipulação genética, a entrada da era digital nas nossas vidas... Você tem aí uma lista de assuntos que são parte desse mundo contemporâneo e isso se apresenta para todos nós. Mas a Joyce é uma pessoa que foi criada com os parâmetros antigos. Portanto, essas questões novas que vão se apresentar para ela irão gerar muitos conflitos. Não vai ser nada tranquilo! Vai mexer com o universo dela! 

Você acha que a Joyce será capaz de rejeitar a filha?

Há uma distância entre aquilo que você diz e o que sente. Eu acho que os pais, independentemente de serem mais ou menos conservadores, sempre vão querer o caminho mais suave para os seus filhos. Mesmo uma pessoa ultramoderna vai desejar o caminho de menos obstáculos e sofrimento. Então, quando percebem que aquilo vai ser mais difícil, é óbvio que os pais também vão sofrer, mas não significa que necessariamente vão rejeitar ou deixar de amar o filho.

Como você disse, a personagem teve uma criação conservadora. Isso faz com que ela aja de forma errônea com a Ivana, pensando que está fazendo o melhor?

Eu vejo na Joyce algo mais tradicionalista, avesso a riscos. Ela não é aventureira, quer segurança e respeita as tradições. É uma pessoa ótima, uma mulher boa e muito dedicada ao marido e aos filhos. Ela cuida deles, mas é à sua maneira. Faz o que julga ser o melhor.

Acredita que A Força do Querer tem ajudado a aumentar o debate sobre a transexualidade?

Sim, estão sendo lançadas perguntas para que a sociedade possa conversar e refletir sobre o tema. Não acho que a nossa função seja dar respostas, mas abrir espaço para o debate.

Como é voltar às novelas depois de um intervalo de dez anos?

Estou feliz! Antes, não fazia esse tipo de trabalho, porque os meus filhos eram pequenos e a logística ficava muito difícil. Agora, eles são meninos crescidos, já conseguem verbalizar o que querem e compreendem bem a situação. Eu e o Papinha (Rogério Gomes, diretor) tínhamos tentado trabalhar juntos e não havia dado certo. Foi igual com a Glória (Perez, autora).

Além da novela, você participa do programa TERRADOIS, da TV Cultura. Como foi trabalhar nessa produção?

Trabalhei no TERRADOIS durante quase dois anos, pois participei da concepção do seu formato. O objetivo é discutir as questões do mundo contemporâneo que eu estava falando. A cada semana tem um episódio de 20 minutos de dramaturgia dentro da produção. No programa, Jorge Forbes, que é o psicanalista e idealizador de tudo, está comigo mediando a conversa. Essa foi uma experiência que me trouxe muita satisfação. (Estadão Conteúdo)

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