Listamos cuidados para garantir a saúde do seu filho na volta às aulas

Especialistas orientam sobre alimentação, vacinas, tipos de mochila, entre outros assuntos

08/02/2018 - 21:24 - Atualizado em 08/02/2018 - 21:29

As aulas começaram e, com elas, uma preocupação comum a muitas famílias e mesmo a instituições de ensino: a saúde das crianças. Para que tudo corra da forma mais tranquila possível, veja algumas dicas que duas pediatras e um neurologista dão para garantir o bem-estar de seu filho:

Alimentação

“Acho que essa é a questão mais importante. Metade das crianças da Cidade está com sobrepeso ou obesa. E a maior culpada é a alimentação”, afirma a pediatra e hebiatra Márcia Faria Rodrigues, que é categórica: na hora de preparar a lancheira, suco de caixinha só se for sem adição de açúcar. 

“Mesmo assim, deixe apenas para uso na escola. Em casa, deve-se dar frutas in natura e água – não suco. Leite em caixinha longa vida também é boa opção. Mas é difícil achar no Brasil produtos sem açúcar. Já crianças muito magras ou atletas podem optar pelos suplementos, do tipo sustagem ou pediasure”.

Outro ponto fundamental apontado pela médica: fuja dos achocolatados. “Os mais populares têm gordura hidrogenada – e isso está na embalagem, mas ninguém costuma ler”.

O ideal, segundo ela, é levar frutas também para a escola. Se a aceitação for um problema, aposte no mix de frutas secas com castanhas diversas: damasco, passas, ameixa, castanha-do-Pará e de caju, por exemplo. 

A criança deve frequentar a cantina apenas se estiver preparada para isso. (Foto: Shutterstock)

No caso dos pães, prefira os integrais e sem açúcar. “Tente incluir sempre queijos, pois tem diminuído muito a ingestão de leite e derivados em escolas. E, em relação à cantina, se a escola já não proibiu as tranqueiras, os pais devem fazê-lo. O lanche é para alimentar. Usar o dinheiro que deveria ser para a nutrição com tranqueiras é desvio de verba, certo? E ninguém quer isso para o País, então, não vamos permitir em casa”, arremata Márcia, lembrando que refrigerantes e salgadinhos de pacotes, assim como bolachas recheadas, balas, chicletes e frituras estão fora de cogitação!

A pediatra Mirian Valente lembra que as crianças praticam muita atividade física e apresentam crescimento constante. “Por isso é importante que a quantidade e a qualidade da alimentação estejam de acordo com suas necessidades diárias e que seus hábitos saudáveis sejam estimulados”. 

Segundo a médica, uma merenda escolar de qualidade deve oferecer para a criança, em média, de 200 a 250 calorias. “No dia a dia, devemos estimular um lanche bem variado, com a presença de diversos grupos alimentares, como frutas, legumes, proteínas e carboidratos complexos (bolos com farinhas integrais e pão integral na confecção do sanduíche). Açúcar e refrigerantes devem ser evitados”.

Mirian diz que o consumo diário de leite e derivados é de 500 a 750 ml. “Por isso, recomendamos que seja incluído na merenda iogurte ou queijo”. 

Os cuidados com a higiene e armazenamento são importantes e interferem na qualidade da merenda escolar, sim, alerta Mirian. “Dê preferência sempre para as lancheiras térmicas, que devem ser higienizadas diariamente. O importante é que os alimentos perecíveis sejam armazenados em geladeira, identificados com o nome da criança – além de providenciar a lavagem ideal das frutas e das folhas, principalmente”. 

Mais: “A cantina só é recomendada a partir do momento em que a criança tem maturidade para dar preferência aos melhores alimentos. Caso contrário, pode oferecer riscos, pois os produtos comercializados não obedecem às recomendações de alimentação saudável... Os alimentos industrializados devem ser evitados, com preferência sempre para os frescos. Recomendamos ainda que os pais leiam os rótulos na hora da escolha dos produtos, pois é importante não adquirir itens que tenham gordura trans na composição, como batata frita, pipocas para micro-ondas e bolachas recheadas”.

Ah! E tem que beber bastante água, lembra Márcia Faria Rodrigues. “Um cantil térmico é o ideal. E está sempre à mão”.

Vacinas

“Toda criança deve estar com a vacinação em dia antes de ir para a escola. De preferência, conforme o calendário da Sociedade Brasileira de Pediatria, e não apenas o básico fornecido pelo Governo”, alerta Márcia. 

De acordo com ela, é importante dar a vacina contra a gripe no início do outono. “Quanto mais coleguinhas estiverem vacinados, maior a eficácia da vacina – isso se chama imunidade de grupo, o que ajuda a diminuir a circulação dos vírus”. 

É, inclusive, o que está sendo feito hoje em relação à febre amarela, reforça a médica. “Todos acima de 9 meses devem se vacinar. As exceções são alergia grave a ovo – quem toma a de gripe ou de sarampo, por exemplo, pode tomar a da febre amarela – e imunodeprimidos, como quem faz uso de altas doses de corticoides via oral ou injetável”.

Viroses

Fato: a primeira infância é um período em que há muitos episódios de viroses, pois o sistema imunológico da criança ainda está em formação, alerta Mirian Valente.  “Mas, em geral, são quadros benignos”.

Por outro lado, a médica destaca que os bebês exigem mais cuidados, pois podem apresentar complicações como a desidratação. “No verão, as diarreias agudas são constantes, principalmente em crianças que frequentam creches e escolas. Elas são causadas, em especial, pelo rotavírus, por parasitas ou por bactérias. A principal forma de contágio é por ingestão de alimentos ou água contaminada. Por isso a lavagem das mãos e dos alimentos e não fazer refeições fora de casa são medidas imprescindíveis para evitá-las”.

Detalhe: quanto mais nova for a criança, mais rapidamente ela desidrata. “Os principais sintomas são letargia, apatia, olhos fundos, diminuição de lágrima e de saliva, choro excessivo (irritabilidade) e redução da produção de urina”.

Márcia Faria Rodrigues explica que, por volta dos 6 meses de vida, o bebê quase não tem mais os anticorpos que recebeu da mãe e quase não produz os seus próprios. “Essa produção de anticorpos, que são a defesa do nosso organismo, aumenta gradativamente e só estará adequada por volta dos 3 anos. Não há nada que se possa fazer para acelerar esse processo. Por isso, ao entrar em contato com outras crianças, é comum haver a troca de vírus e bactérias entre elas. Não existe vacina para tudo, então, as infecções como resfriados, diarreias e otites são comuns”. 

O ideal, recomenda Márcia, é não usar chupetas – pelo menos não no ambiente escolar –, por causa da chance de compartilhamento. “A escola também deve primar para que as cuidadoras lavem as mãos com frequência ou usem álcool gel”.

Outro toque essencial: o correto é nunca levar a criança doente para a escola, diz Márcia. “Não só enquanto está com febre, mas até sua total recuperação. Quando está gripada, por exemplo, a criança pode contaminar as demais por até duas semanas!”

Carnaval e festas

Em tempo de folia e de festinhas na escola, fica o toque de Márcia: “Escolha roupas leves e evite tecidos sintéticos, que não permitem que a pele transpire e podem causar alergias. Evite também partes que se soltam e possam ser engolidas ou que possam machucar um coleguinha, com pontas etc”.

Mochila

Crianças e adolescentes ainda estão com a coluna em processo de formação pelo crescimento e por isso são vulneráveis à dor e acentuação de malformação. Assim, o cuidado com a mochila é essencial, alerta o chefe do setor de cirurgia da coluna vertebral no Departamento de Neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e membro do Centro de Dor e Coluna do Hospital 9 de Julho, Alexandre Elias.

Para prevenir problemas, o médico sugere:
1) O ideal é não carregar mais do que 10% do peso corporal.

2) A mochila mais indicada é o modelo de rodinhas e com o puxador rente à mão, com ajuste de altura. Além de mais confortável, evita o sobrepeso e a má postura. 

Na impossibilidade, opte pelas mochilas que são presas também na região lombar, além de usar sempre as duas alças.

3) Mantenha a coluna sempre ereta e o abdômen para dentro, para a melhor distribuição do peso no eixo correto do corpo.

4) Se os pais acharem que a criança está carregando muito peso, o ideal é conversar com a direção da escola para analisar o que de fato é necessário estar na mochila no dia a dia.

Certifique-se se o colégio disponibiliza armários para que os alunos deixem os materiais e peguem apenas o que é de uso do dia.

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