Dicas para seu salário resistir até o fim do mês

Colunista ensina como economizar em várias situações e a melhorar o planejamento financeiro

21/08/2018 - 20:46 - Atualizado em 21/08/2018 - 20:46

“Não consigo poupar no fim do mês”. Essa frase é muito comum entre nós, brasileiros, que temos um nível de poupança muito baixo. Gasta-se muito sob a alegação de que a renda é insuficiente e pensa-se pouco na velhice, quando se deveria usufruir da bolada economizada.

Porém, temos que aprender a fazer exatamente o contrário: “consigo poupar todo mês”. E acreditem, para isso, não é preciso ganhar muito. 

Há muitas estratégias, planilhas e aplicativos que ajudam a fazer poupança. Expor opções é fácil, mas pouco se fala do lado comportamental. Isso explica porque trabalhadores sofridos que ganham pouco compram sua casinha e gente bem remunerada vive no cheque especial.

Se quer ter dinheiro o mês todo, minha sugestão é olhar para si próprio e não para os outros. E como isso é na prática? Você poupa antes, gasta depois.

Uma tática é não ficar se comparando com os outros. Faça ainda um planejamento anual. (Foto: Shutterstock)

O olhar para si primeiro é poupar. Pagar contas ou juros do empréstimo é o equivalente a se concentrar nos outros. 

Não há como escapar dos compromissos, pois precisamos de serviços e produtos. Mas, infelizmente existem pessoas que têm o seu foco financeiro sempre nas despesas — pensam nos outros e não nelas próprias. Gastam sem parar e tomam emprestado do cheque especial e do rotativo do cartão de crédito. 

Isso vale também para quem entra no vermelho ao ficar doente, bate o carro ou é assaltado. Se tivesse aplicado antes, teria uma reserva para cobrir as surpresas.

Economize miudezas

Entre as iniciativas para privilegiar o eu nas finanças está focar no pequeno tostão. Olhe com mais carinho para as moedas e as notas de R$ 2 ou R$ 5 que não param na sua carteira. Dê atenção como se fossem R$ 100. 

Veja o meu exemplo. Quando preciso comprar um produto na farmácia, vou a três delas que estão próximas. Se estou na terceira, descubro que lá na primeira a economia é de uns R$ 0,70, volto lá e faço a compra. 

Ah, mas você deve estar pensando: quanto tempo perdido! Não. Se fizer isso uma vez por semana, serão R$ 37,10 em um ano.

Contas só ao ano

Com essa minha conta, sua segunda iniciativa comportamental é pensar em termos anuais. As empresas fazem balanço por ano e até o Governo tem seu orçamento para 12 meses.

O trabalhador americano pensa quanto ganha por ano. Nós falamos “ganho tanto por mês”. Raciocine para 12 meses. Assim, você pode comparar ano a ano seu desempenho financeiro.

Guarde antes

Outra dica já dada nas outras colunas: guarde antes, gaste depois. Faça uma estimativa média de quanto gasta por mês. Considere tudo, até balada, cafezinho e presentes de aniversário. Com o que sobrar, defina um valor realista, que você realmente tem condições de guardar. Fixe essa quantia no débito programado, direcionando todo mês para sua aplicação preferida. Programe para o dia do pagamento do salário, da aposentadoria ou do recebimento de sua prestação de serviço.

Ainda não sobra

Mas sua renda continua acabando antes do fim do mês? Mesmo que o motivo disso seja dívida, faça sacrifícios. Mantenha suas prioridades, porém, volte para a dica sagrada já citada acima: economize em cada conta, mesmo que poucos reais. 

Somados e anualizados, você reduzirá seu orçamento em centenas ou milhares de reais. Se há perdulários em casa, envolva todos no esforço concentrado e estabeleça uma meta, com valor e prazo, para estimulá-los. 

O adolescente pode ganhar um belo smartphone daqui a um tempo. Ou vocês podem fazer uma viagem caprichada. Para isso, são necessárias mais duas dicas comportamentais: paciência (esperar o tempo ser atingido) e disciplina (não gastar fora do planejado). 

Porém, fica aqui a dica final: não enrole. Depois do ponto final que vem a seguir, comece a praticar seu plano financeiro.

O colunista
Marcelo Santos é editor de Economia do jornal A Tribuna

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