Espetacular, 'Super Mario Odyssey' traz brilho no olho e sorriso a jogadores

Colunista analisa o mais novo jogo da série Mario, disponível para Nintendo Switch

08/11/2017 - 21:06 - Atualizado em 08/11/2017 - 21:06

'Super Mario Odyssey' é um jogo de primeira, na opinião de colunista (Foto: Reprodução)

O jornalismo deve ter imparcialidade e levantar questionamentos sem impor a opinião pessoal do redator. Com isso em mente, gostaria de pontuar: 1 - Eu nunca gostei de jogos do Mario / 2 - Super Mario Odyssey me fez engolir seco o primeiro item e admitir que estava completamente errado sobre a franquia. O mais novo game da Nintendo é um clássico instantâneo e o Mario chegou para mostrar a razão de ser um dos personagens mais importantes do mundo. 

Começando pela história, Bowser sequestra novamente a princesa Peach e cabe a Mario impedir o vilão de concretizar seu mais novo plano: se casar com ela.

Com essa missão, você é jogado da nave em que o vilão carrega a prisioneira e cai num reino cheio de pequenos chapéus. Um deles revela que a tiara que está na cabeça da princesa é da irmã dela, também raptada pelo inimigo.

Assim, Cappy se une a Mario e os dois saem na odisseia de resgate das personagens. Para isso, muitos reinos terão de ser visitados enquanto Bowser se aproxima cada vez mais do momento de sua cerimônia.

A jogabilidade é simples: tudo que pode fazer a princípio é pular e jogar o chapéu, seguindo do impacto no ar e de truques com o chapéu. Você tem um 'mundo aberto' (em certo ponto, limitado) que pode seguir tanto para o objetivo principal de cada reino ou tentar desvendar todos os segredos escondidos no mapa.

Uma das maiores qualidades do game é a liberdade que te oferece. Se quer passear, brincar pelo mapa, testar seus limites e se desafiar, o jogo te recompensa pela jornada. Se deseja seguir o rumo para os chefões, não o impede. Recomenda-se utilizar os joy-con separados, um em cada mão, pois isso facilita os movimentos de atalho para alguns golpes elaborados.

Novo jogo tem momentos nostálgicos para lembrar tempos de Nintendinho (Foto: Reprodução)

Falando em jogabilidade, um dos pontos mais mágicos do novo game, além da própria aventura, é a oportunidade de jogar em certos trechos como o clássico do NES (ou Nintendinho). Assim como Doom (PS4/XboxOne) fez recentemente, trazer essa nostalgia de volta foi um acerto digno de todo o respeito.

No mesmo jogo você pode acompanhar como ele era no início e como a série evoluiu. Inserir este fator como parte do jogo e não como algo opcional foi genial, trazendo sons e gráficos pixelados como uma boa (e distante) memória.

O sistema de jogar o chapéu e assumir o controle dos alvos também adiciona jogabilidades nunca experimentadas antes pela franquia.

Quase tudo é controlável, em qualquer instante, inclusive em lutas contra os chefões. Você pode muito bem se unir a um inimigo e impedir o grande chefão com as habilidades daquele espécime. Desde nadar, voar, alcançar locais ou destruir o ambiente ao seu redor, a liberdade é absurda. Basta desejar e ir onde quiser. 

Quanto aos sons e gráficos, nunca o universo de Mario pareceu tão vivo antes. Ainda me questiono como fizeram toda sua aventura rodar de forma limpa e nítida como o mundo real no modo portátil, por exemplo.

Todos os elementos mágicos estão ali: monstros, chefões, nuvens com sorrisos, mas, ao ver as árvores, a água, o céu, cada detalhe da arquitetura de cada reino e os detalhes no mapa, perceberá que o jogo foi feito de apaixonados por games para os jogadores.

Já a trilha sonora conta com os sons clássicos remixados para a nova geração, além de ter, pela primeira vez, uma música cantada: Jump Up, Super Star!, cuja letra está no encarte do game.

Um dos pontos mais importantes que a Nintendo se preocupa em relação ao seu público é a diversão, e nisso você encontra em cada canto da aventura de Mario: diálogos divertidos entre Mario e Cappy, Bowser reclamando de enfrentar o herói enquanto prepara um casamento e se sente estressado com a organização, os demais personagens com seu brilho e bom-humor prontos para abraçar a jornada e até mesmo as luas, combustível da 'nave' do Mario, esboçam uma expressão feliz. É do tipo de game que te acolhe em cada detalhe, seja na expressão de algum deles ou nos elementos em tela.

Para os curiosos, o novo game e The Legend of Zelda: Breath of the Wild alcançaram a nota 97 no Metacritic e para quem jogou ambos, posso dizer que foram merecedores.

Os dois games, em menos de oito meses, vão redefinir por completo a forma como jogamos videogame nos próximos anos. Cada qual com seu mérito, apesar da minha preferência às aventuras de Link o que realmente me surpreendeu em 2017 foi Super Mario Odyssey.

Você o acha 'agradável' até a parte em que se transforma no Tiranossauro Rex (isso bem no início do game, no segundo reino). Após isso, você já está com o olho brilhando e com um sorriso no jogo, pensando 'que espetacular'.

O ano foi cheio de surpresas: Horizon Zero Dawn, The Legend of Zelda: Breath of the Wild, Wolfenstein II: The New Colossus e Assassin's Creed Origins são ótimos exemplos, mas Super Mario Odyssey veio para mostrar o que o ícone do mundo dos games é capaz.

Ele não é apenas uma recomendação, é um dos games obrigatórios para se jogar por todos que se dizem apaixonados por videogames. Ele está disponível exclusivamente para o Nintendo Switch, com a possibilidade de jogar até duas pessoas (uma controla Cappy, o chapéu) e não possui recursos online.

Como a Nintendo não tem base instalada no Brasil, o game está totalmente em inglês, porém é bem intuitivo e simples de jogar caso não compreenda a língua. Ainda há um modo que permite jogar com flechas indicando o caminho, ajudando a quem não costuma pegar o jeito facilmente.

Diego Corumba é colunista do site
(Foto: Carlos Nogueira)

O colunista

Diego Corumba é jornalista formado pela Universidade Santa Cecília, especializado em videogames. Desde antes de trabalhar no mercado de jogos - com destaque para a sua atuação na Moove Games, em Santos -, ele já estudava a área a fundo. Sua paixão por esse universo começou mais exatamente na década de 90, quando o primeiro Super Nintendo chegou em sua casa em Guarujá.

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