OMS pretende classificar o vício em videogame como doença psiquiátrica em 2018

Entenda como funciona essa dependência. Listamos os principais sintomas e o prazo para diagnóstico

29/12/2017 - 15:00 - Atualizado em 29/12/2017 - 15:02

A Organização Mundial da Saúde (OMS) deu indícios de que deverá reconhecer o vício em videogame como transtorno mental a partir do ano que vem, quando será publicada a atualização da Classificação Internacional de Doenças (CID). Se isso realmente ocorrer, será a primeira vez que uma dependência tecnológica entrará na relação.

Assim, a OMS espera facilitar o diagnóstico e o tratamento do problema, além de incentivar pesquisas sobre ele. A pretensão do órgão é incluir o vício em jogos eletrônicos na categoria “distúrbios devido a um comportamento dependente”, lista que passou a contar com a compulsão por apostas na última atualização da CID, em 1990.

Para confirmar o diagnóstico, o médico terá que levar em consideração alguns sintomas. Entre eles: a pessoa não conseguir controlar mais a frequência, a intensidade e a quantidade de tempo que passa jogando videogame, e em alguns casos até fazer com que os jogos eletrônicos prevaleçam sobre aspectos fundamentais da sua vida.

Detalhe: esse quadro deverá se manter pelo intervalo de 12 meses para o vício ser confirmado. Mas em situações extremas o diagnóstico poderá ser realizado sem levar isso em conta.

Na Coreia do Sul, a dependência de videogame já é reconhecida como doença. Por lá existem até métodos para se tratar o problema.


Pesquisas mostram que apenas de 1% a 5% dos jovens desenvolvem essa dependência.
(Foto: Shutterstock)


Pressão   

O acréscimo do vício em videogame na Classificação Internacional de Doenças tem a ver com a pressão feita por médicos e acadêmicos sobre a OMS. A CID é o manual que traz a definição e os códigos das patologias e que serve de parâmetro para o trabalho de profissionais da Saúde no mundo todo. 

O distúrbio dos jogos eletrônicos tem características diferentes do transtorno conhecido como jogo patológico (ou gambling disorder, em inglês), doença já incluída na versão atual da CID, caracterizada pelo vício em jogos de azar com apostas em dinheiro, como bingos, cassinos e caça-níqueis.

De acordo com a OMS, o tema começou a ser discutido em 2014, após centros da entidade, médicos e acadêmicos expressarem preocupação sobre possíveis implicações à saúde associadas ao excesso de jogos de videogame e de computador. 

A entidade diz que as consultas e evidências apresentadas desde então levaram à proposta atual de que o transtorno possa ser uma síndrome “reconhecível e significativa associada à angústia ou à interferência em funções pessoais”.


Prejuízo

Segundo especialistas que atendem jovens dependentes de videogames, a principal característica que diferencia jogadores saudáveis dos viciados é justamente a interferência desse hobby nas demais atividades cotidianas. “A maioria dos jovens joga de maneira tranquila e controlada. Mas entre os que se tornam dependentes vemos prejuízos importantes, como reprovação na escola, afastamento dos amigos e brigas com a família”, diz o psiquiatra Daniel Spritzer, coordenador do Grupo de Estudos sobre Adições Tecnológicas (GEAT).

Ele afirma que, embora não haja no Brasil uma estimativa de quantos jovens sejam viciados em games, levantamentos americanos e europeus indicam que apenas de 1% a 5% dos jovens jogadores desenvolvem um comportamento dependente. 

O problema, afirma ele, é mais grave em países asiáticos, onde a prevalência chega a 10%.


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