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Segunda-feira

19 de Novembro de 2018

Comércio regional prevê 5% de aumento no volume de vendas

A retomada de investimentos, a estabilização do dólar e a recuperação do crédito devem impulsionar o mercado

A retomada de investimentos privados, com a definição nas urnas e a saída gradual da recessão nacional, motiva expectativas para os principais setores da economia da região. O Sindicato do Comércio Varejista da Baixada Santista (SCVBS) espera um aumento de 5% no volume de vendas para o final do ano.

Já o setor hoteleiro projeta ocupação próxima à totalidade nos leitos para os próximos meses. A previsão otimista se dá após essas áreas da economia local terem três anos de quedas no faturamento geral.

O balanço da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), divulgado nessa semana, indica que o setor, no Litoral Paulista, apresentou elevação nos seis primeiros meses do ano. As vendas do varejo regional cresceram, em média, 2,6% em agosto, na comparação como mesmo período de 2017.

O resultado foi puxado pelo sistema aprazo (5,9%),“beneficiado pela queda dos juros e pelo alongamento dos prazos, que estimulam a compra parcelada de produtos de maior valor (duráveis e semiduráveis)”, explica Marcel Solimeo, economista da ACSP.

É justamente na retomada do crédito que o SCVBS aposta na recuperação das vendas para o final do ano. “Muita gente conseguiu tirar o nome do SPC, renegociou sua situação financeira e agora está apta a retornar para o consumo”, afirma o presidente da entidade, Omar Abdul Assaf.

A confiança do consumidor faz com que empresários apostem em vendas elevadas no final do ano. “As condições estão começando a ficar favoráveis com a mudança do governo, com o movimento da Bolsa de Valores subir e o dólar cair. Isso ajuda no preço dos produtos importados e no controle da inflação”, continua.

Outro fator que vai auxiliar na elevação das vendas é o climático. Assaf cita que os próximos dois feriados nesse mês devem impulsionar o comércio varejista. “É um grande alento, pois devemos encerrar o ano no azul”, continua.

Ele acredita que, apesar da melhora nos indicadores financeiros, rotas domésticas ainda serão opção de lazer do brasileiro – o que vai beneficiar a Baixada Santista. “Quanto mais baixar o dólar, maior será a ajuda para os setores de alimentação, importados, brinquedos que são atrelados à moeda americana. Ele (dólar) num patamar civilizado faz com que as pessoas comprem mais e não temam disparada nos preços”.

O pagamento da primeira parcela do 13º salário para os trabalhadores da iniciativa privada é outro termômetro para as vendas. “É o começo do movimento de compras. Também tem a Black Friday, que é um pré-aquecimento para o Natal”, continua o presidente da SCVBS.

Assaf cita também como positivo para o setor a temporada de cruzeiros marítimos, que se inicia no dia 24 de novembro. “São Pedro regula um pouco o turismo. Com o clima bom, maior número de turistas fica por aqui e deixa mais dinheiro na região”.

Hotéis

Expectativa de maior volume de turistas também é aguardada para manter aquecido o setor hoteleiro da região durante a temporada. Empresários acreditam que a taxa de ocupação deve ficar bem próximos da lotação máxima até o Carnaval.

“Os últimos anos foram difíceis e sem esperança. Mas começamos a ver veranistas e turistas mais soltos para o consumo, o que vem a demonstrar que podemos ter umas das melhores temporadas dos últimos cinco ou seis anos”, afirma o presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (Sinhores), Heitor Gonzalez.

Um indicativo de movimento intenso foi sentido nesse final de semana de feriado prolongado. Considerado pelo setor o pior do ano, a média de ocupação ultrapassou 80% dos leitos. “Isso foi uma surpresa para nós, pois historicamente as reservas ficam abaixo de 60% no Dia de Finados”, acrescenta Gonzalez.

Ele explica que as reservas para o final do ano começam a partir da segunda quinzena deste mês, mas que já é sentido procura acima da verificada no ano passado.

“Os restaurantes com cardápio especial de ceias (Natal e Ano-novo) já têm filas de espera, com procura razoável. São pequenos indicadores, mas esse segmento é sensível a pequenos movimentos. É o primeiro a sofrer coma crise, mas também o primeiro a sair dela”, afirma Gonzalez.