Palmieri comemora boa fase no Palermo e não quer voltar

Lateral foi revelado pelo Santos, e está emprestado até agosto

25/03/2015 - 23:28 - Atualizado em 26/03/2015 - 11:31

Lucas Musetti
Colaborador

Há sete meses no futebol italiano, Emerson Palmieri, mais um 'Menino da Vila' no Velho Continente, começa a ganhar seu espaço. No Palermo, 11º colocado do Calcio, o lateral-esquerdo tem recebido frequentes oportunidades no time titular.

A expectativa do ala de 21 anos é seguir na Europa, onde seu contrato de empréstimo se encerra em agosto, com prioridade de compra em definitivo para o Palermo. 

À reportagem de A Tribuna On-Line, Emerson relembrou os tempos de Santos, traçou planos ambiciosos para o futuro, e comentou sobre seu irmão, Giovanni Palmieri, também lateral-esquerdo, que atua pelo Fluminense.

Entrevista com Emerson Palmieri, lateral-esquerdo do Palermo-ITA

Como está sendo sua experiência no futebol italiano? Dentro e fora de campo. Como é a rotina? O que você faz quando não está com o time? Dá para viver sem dificuldades?

Minha experiência aqui no futebol italiano tem sido muito boa, tanto dentro de campo, pois estou evoluindo em questões táticas, como fora também, já que estou evoluindo como ser humano, o que é o mais importante. A rotina é quase igual a que tinha em Santos, do treino para casa, da casa para o treino, e de vez em quando saio pra jantar depois de alguma partida. Sou tranquilo em relação a isso, 

não tenho dificuldades pra me adaptar.

Quais são as diferenças e semelhanças do futebol da Itália para do Brasil?

A diferença é que aqui, às vezes, priorizam mais a força ao invés da habilidade. Preferem defender a atacar.

Lateral defende mais que aqui?

O lateral tem que fazer a mesma função tanto aqui como em qualquer lugar do mundo, primeiro defender bem e depois atacar, isso não muda muito.

Seu empréstimo termina em agosto. Quais são suas expectativas? Permanecer na Itália ou voltar para o Santos?

Estou indo bem aqui na equipe e a torcida tem gostado muito de mim. Adaptei-me e sempre dou o melhor em campo. Tenho expectativas de continuar aqui e fazer um excelente trabalho.

Tem acompanhado o Santos? Hoje, na lateral-esquerda, o time tem Victor Ferraz improvisado, Chiquinho e Caju como opções. Isso te preocupa?

Tem bons três laterais hoje no Santos sim, e eu respeito todos, mas no futebol é isso, sempre haverá concorrência. Confio no meu trabalho, respeito a todos, claro, mas não me preocupa, sei que estou evoluindo e sempre deixo as coisas nas mãos de Deus.

Você acha que teve as oportunidades necessárias no Santos? Há alguma frustração?

Eu queria ter tido uma sequência maior, todo jogador quer jogar, porque sempre jogava 2 jogos e depois só jogava depois de um tempo, então é difícil você pegar confiança e ritmo de jogo. Frustração eu não tenho, posso ter ficado chateado com algumas coisas, penso que estava indo bem na sequência que vinha fazendo com o treinador Oswaldo, mas acabei me machucando e quando voltei de lesão, não tive outras oportunidades.

Você sofreu com lesões e com a concorrência de Léo e Mena no Santos. Era difícil buscar a vaga?

Eu subi muito cedo pra equipe profissional. Com apenas 17 anos fiz minha estreia, mas talvez ainda faltasse um equilíbrio maior da parte muscular, e isso me prejudicou um pouco no começo. O Léo sempre foi um ídolo do Santos e da torcida, e eu sempre deixei bem claro que respeitava ele, e quando tivesse oportunidade pretendia agarrar da melhor maneira, mas sempre respeitando. Com o Mena também. Acho um bom jogador e não é a toa que ele é o titular da Seleção Chilena. Ele teve boas atuações também e foi à Copa, mas toda vez que entrei fiz meu papel, com gols, assistências sempre tentando ajudar o Santos da melhor maneira.

Foi uma escolha sua o empréstimo ao Palermo, ou foi uma definição apenas do clube?

Foi uma escolha minha, o Palermo teve interesse, eu não estava jogando no Santos. Vi isso como uma boa chance de jogar e evoluir, pois carreira de jogador passa rápido.

Sente falta do Santos? Dos colegas, comissão técnica? 

Sinto falta de alguns colegas, sempre fui muito amigo de todos, claro que sempre temos um carinho maior por alguns, mas sinto falta de todos em geral, por que acima de tudo, no Santos, o grupo sempre foi bastante unido.

Como é ver seu irmão buscando espaço no Fluminense na mesma posição que você? Vocês se ajudam, discutem sobre a função em campo? Sempre jogaram na mesma posição? (Nota: Giovanni Palmieri, 25 anos, lateral-esquerdo, foi contratado no início deste ano pelo clube das Laranjeiras).

Vejo meu irmão como um ídolo, por tudo que ele já passou na vida e hoje ele está numa equipe como o Fluminense. Eu fico muito feliz por ele, sempre nos ajudamos, nos damos conselhos, e isso é importante porque vamos evoluindo juntos.

Você tem idade olímpica. Olimpíadas e Seleção Brasileira estão nos seus planos?

Seleção Brasileira eu penso sim, fui convocado 8 vezes pra Seleção Brasileira Sub-17, então, é claro que espero voltar um dia, e se fosse nas Olimpíadas ia ser melhor ainda, Deus está guiando meus passos e um dia, com muita fé, voltarei à Seleção.

Por que as categorias de base do Santos revelam tantos jogadores? Em que elas são diferentes?

Penso que no Santos já tem uma atmosfera diferente de você jogar na base, tantos bons jogadores saindo dali, parece que realmente é uma fábrica, pois todos os anos sempre desponta algum talento.

A lateral esquerda é um problema mundial. Clubes contratam um atrás do outro, improvisam. É um incentivo a mais?

Canhoto já é minoria no futebol hoje em dia. Quando tem, sempre são um pouco mais habilidosos, e sempre acabam jogando no meio, no ataque. Incentiva sim a você conquistar o seu espaço em um grande clube e futuramente na seleção. Hoje, não têm tantos, mas o que têm são de muita qualidade.


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