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Santos FC

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Quarta-feira, 24 de março de 2010 - 18h14

Polêmica

Comissão Fiscal deve rejeitar contas de 2009 da gestão Marcelo Teixeira

Anderson Firmino


Marcelo Teixeira respondeu as questões por meio de seu blog

A reunião do Conselho Deliberativo do Santos, nesta quinta-feira, deve ter muita polêmica. Nela, os conselheiros do clube decidirão se aprovam ou não as contas de 2009, último ano da gestão de Marcelo Teixeira. Ao contrário dos últimos anos, onde tal reunião era, de certa forma, sem surpresas, uma vez que as contas foram sempre aprovadas, deve reservar uma mudança. A Comissão Fiscal recomendará a rejeição do balanço contábil.

Conforme A Tribuna antecipou, na edição desta quarta-feira, a dívida que será mostrada aos conselheiros estaria em R$ 177 milhões. O rombo inclui o prejuízo de R$ 44.943.025,74apurado no Demonstrativo de Resultado de Exercício (DRE); mais de R$ 42.821.829,00, de empréstimos bancários, além de R$ 15.610.000,00, de empréstimos feitos pela Associação Educacional Santa Cecília, de propriedade da família Teixeira.

Repasse de talentos

Outro ponto polêmico está no repasse dos direitos econômicos dos principais jogadores do Peixe, como Neymar e Paulo Henrique Ganso.  A DIS Esportes, braço esportivo do Grupo Sonda, adquiriu, entre 2008 e 2009, 25% dos direitos de sete atletas do clube, entre eles os dois jovens talentos do Alvinegro, por um valor irrisório: R$ 3,2 milhões, ou R$ 457,5 mil por atleta. O valor representra apenas 2,7% da multa rescisória, que girava em torno de 185 milhões de euros.

"A multa contratual desses atletas, na época, girava em torno de 185 milhões de euros (R$ 481 milhões, utilizando o câmbio da época. Ou seja, 25% proporcionais da aquisição representariam 46,2 milhões de euros (R$ 120,2 milhões). A empresa adquiriu 25% dos direitos pagando, na verdade, 2,70% sobre o que eles valem conforme a multa contratual", diz o texto do relatório.

Contudo, pelo menos no tocante a Neymar, o Santos não vendeu parte dos direitos sobre o jogador para a DIS. Para aumentar o tempo de contrato e os salários do jogador, com o devido reajuste da multa, o clube repassou parte dos direitos ao atleta, que negociou com a empresa.

Um dado que chama a atenção o relatório se refere ao jogador Alan Patrick. Cria das divisões de base do clube, ele nunca teve qualquer intermediário quando dos contratos como amador. Porém, em seu primeiro vínculo como profissional, o atleta, de 18 anos, promovido no ano passado, já teria metade de seus direitos federativos ligados à DIS.

Impostos

Outro dado preocupante para o Santos, verificado pela Comissão Fiscal do clube, diz respeito a pendências nas questões trabalhistas e fiscais. A auditoria encontrou tributos retuidos e não recolhidos, no total de aproximadamente R$ 10 milhões.
'No Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), a conta totaliza R$5.271.862,13 de dívida de curto prazo, onde R$ 4.481.244,01 são de retenção sem o devido repasse, mais R$790.618,12 de multas e juros pelo atraso", diz o relatório.

Resposta

Em texto veiculado em seu blog na internet, Marcelo Teixeira separa em tópicos as repostas das questões levantadas pela Comissão Fiscal do clube:

Valor da dívida

"A composição da dívida existente no clube retratada no parecer da Comissão Fiscal não foi contraída apenas na última gestão. Vale ressaltar que do montante apresentado, quase 100 milhões de reais refere-se a dívidas fiscais acordadas com os respectivos credores, através de Refis já feito pelo clube e da Timemania. Portanto, são valores com previsão de quitação a longo prazo, não comprometendo o caixa do Santos. O montante restante é formado por empréstimos bancários e dívidas com fornecedores e demais credores. Ressalta-se que são valores perfeitamente administrados, se considerado o patrimônio físico existente no clube e o valor de mercado de vários jogadores do atual plantel do Santos".

Parceria com a DIS

"A parceria com a DIS, empresa de Delcir Sonda, ao contrário do que diz o parecer, é muito vantajosa ao Santos. Isso porque a DIS assegurou a permanência de vários atletas no clube, diante da realidade imposta pela Lei Pelé, onde que para assinar seu primeiro contrato profissional o atleta pede participação em seus direitos econômicos em uma futura venda. Na verdade, a DIS adquiriu a parte que pertencia aos jogadores com a condição de que os memos ampliassem seus compromissos com o clube na questão do tempo de contrato, garantindo a permanência por mais tempo do jogador. Vale ressaltar que, em todos os casos, o Santos sempre resguardou a maior parte dos direitos econômicos dos jogadores".

Rodrigo Tabata

"Como já foi amplamente esclarecido pela imprensa, o Santos emprestou o atleta Tabata ao Gazantiespor, da Turquia, em 2008, com valor do passe fixado. Vale lembrar que na época, o atleta não demonstrava um bom desempenho em campo incompatível com sua renumeração profissional. Além de auferir ganhos com a transferência (500 mil dólares), o Santos deixou de desembolsar os valores mensais contratuais com o jogador. Ao final deste período, o Gazantiespor transferiu o atleta de clube dentro da Turquia sem auferir ao Santos os valores pevistos em contrato. Prova disso, é que o atleta continua registrado no Boletim Informativo Diário da Confederação Brasileira de Futebol. Cabe ao clube buscar na FIFA seus direitos econômicos restantes".

Impostos não recolhidos

"As dívidas de impostos mencionadas no parecer da Comissão Fiscal já estavam em fase de refinanciamento junto à União, processo este que foi interrompido por restrições da atual gestão, que ao que parece, já deu sequência a conclusão deste refinanciamento".






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