Economia
Habitação
Burocracia emperra a casa própria
Marcelo Santos
Trabalhadores que procuraram as agências da Caixa Econômica Federal a partir do final de dezembro não conseguiram consumar a contratação de empréstimo habitacional com recursos do FGTS. Entre esses trabalhadores prejudicados está o despachante de veículos Sérgio de Moraes, de 37 anos. Ele passou por entrevista na agência da Rua Marcílio Dias, no Gonzaga, em Santos, em 23 de dezembro.
O objetivo dele é emprestar R$ 81 mil para comprar um apartamento usado de R$ 85 mil. O imóvel tem um quarto e fica próximo ao Morro dos Barbosas, em São Vicente. Ele conta que os procedimentos para obter a carta de crédito foram todos concluídos em janeiro, mas o dinheiro, fornecido pelo FGTS, não foi liberado.
No dia 19, ele retornou à agência e foi convencido por um funcionário a preencher uma carta de próprio punho. No texto, admitia estar ciente que o banco não contava com recursos até o momento para dar continuidade ao processo. Segundo Moraes, a liberação que está parada é somente a do FGTS. "Os processos com juros da poupança da Caixa estão andando normalmente". Agora, o despachante luta contra o tempo. A carta de compromisso de compra e venda com o proprietário expira em uma semana. Após o prazo, o dono poderá procurar outro comprador. E Moraes terá que buscar outro apartamento. A demora, no caso de Moraes, prejudica também os vendedores. Os donos são idosos e querem se mudar porque não conseguem subir as escadas.
A Tribuna entrou em contato com corretores de imóveis. Um deles conta que a paralisação começou no final de dezembro e as primeiras liberações ocorreram só na semana passada. Para ele, os funcionários da Caixa estão sobrecarregados. "A Caixa assumiu uma demanda muito grande e parece que o pessoal está surtando".
Um funcionário da Caixa procurado por A Tribuna, diz que os procedimentos, do recebimento dos documentos à aprovação da carta de crédito, ocorrem normalmente. O problema é que o dinheiro demora a sair. O gerente regional de Pessoa Física da Caixa, Sidney Soares Filho, diz que os recursos do FGTS dependem de dotação orçamentária fornecida pelo Conselho Curador do fundo.
Essa entidade administra os descontos que saem todo o mês dos salários dos trabalhadores e abastecem as linhas de crédito habitacional. Segundo ele, o Conselho Curador faz dotações por ano de exercício e, em caso de previsão de falta de recursos, são feitos ajustes no orçamento. Quando um financiamento é aprovado, explica Soares, o dinheiro sai imediatamente dessa conta. No caso da Baixada Santista, explica, a unidade regional da Caixa ficou sem a dotação de 2010 durante os primeiros 15 dias de janeiro e não tinha de onde retirar o dinheiro. Segundo ele, o problema já foi definido e o atendimento será normalizado aos poucos.
Sobre a carta de próprio punho assinada por Moraes, Soares diz que vai cobrar explicações da agência. Em relação à demora enfrentada por Sérgio, ele diz que o tempo médio de conclusão do processo dura de 30 a 40 dias e que os procedimentos foram prejudicados pelos feriados do Natal e Réveillon. No final da tarde de ontem, um gerente da Caixa ligou para Moraes e disse que os recursos finalmente seriam liberados.




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