Praia limpa requer habitação melhor

Participantes de seminário promovido em Santos concluem que balneabilidade é prejudicada por resíduos de ocupações irregulares

04/11/2016 - 10:09 - Atualizado em 04/11/2016 - 10:20

Resíduos somados à chuva limitam a capacidade

de envio de água para emissários

A resposta para melhorar a balneabilidade das praias, segundo o Governo do Estado, está em investimentos em regularização fundiária. Sabesp e Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos do Estado afirmam que as ocupações irregulares afetam a qualidade das águas da Baixada Santista.

O tema foi abordado ontem (3), durante o Seminário Internacional de Qualidade das Águas Costeiras. Nesse dia, segundo boletim da Companhia Ambiental do Estado (Cetesb), 16 das 71 praias da região estavam impróprias para banho. Em Santos, duas estavam com bandeira verde, e cinco, vermelha.

“O Emissário Submarino está funcionando muito bem. Acontece que as ocupações irregulares geram uma poluição difusa. Quando chove, os canais tem excedida a capacidade de transferir essa água poluída para dentro do Emissário. Por isso, a balneabilidade fica imprópria, principalmente em eventos chuvosos”, explica o secretário de Saneamento do Estado, Benedito Braga.

Ele defende articulação de Estado, municípios e Poder Judiciário, pois muitas áreas ocupadas irregularmente são particulares. Na Baixada Santista, segundo a Sabesp, há 9.244 imóveis com rede para coleta de esgoto disponível, mas os donos se recusam a fazer a interligação. Quase quatro em cada dez ficam em São Vicente (3.437, ou 37,2%).

SEM RECURSOS

Apesar de considerar o assunto prioritário, o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, alega que a empresa não tem estrutura nem dinheiro para um serviço desse porte. Houve iniciativas na Região Metropolitana de São Paulo, mas em conjunto com as prefeituras.

Na Baixada Santista, Santos é a única cidade a ter contrato com a Sabesp. O termo foi assinado no ano passado e prevê investimentos de R$ 450 milhões pela Sabesp, por 30 anos, em serviços de água e esgoto.

“A prioridade é levar água de qualidade para essas comunidades, pois furtam água por tubos pequenos de PVC, o que expõe risco à saúde pelo contato com o solo. O ideal seria também afastar o esgoto dessas comunidades, mas é mais complicado, porque precisa de alguma urbanização”, afirma.

EM CURTO PRAZO

A Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricosquer intensificar o monitoramento da balneabilidade para a temporada de verão 2016/2017. Juntamente com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente, a ideia é que a coleta de água do mar para análise ocorra diariamente, para se oferecer um resultado preciso. Atualmente, é semanal.

ESGOTO

O deputado federal João Paulo Papa (PSDB), ex-superintendente regional da Sabesp, defendeu monitoramento permanente da qualidade da água nos pontos de lançamento aos emissários submarinos locais.

“Há sempre uma discussão colocada sobre a qualidade desse lançamento oceânico com pré-tratamento. Por isso, é fundamental para a sociedade que se monitore a água do mar nos trechos onde temos emissários submarinos, até chegar à área de arrebentação”, completa.

A água lançada pelos emissários tem tratamento para remoção de sólidos (peneiramento) e cloração. A ideia é que, em grande quantidade de água, tudo se disperse. Para o professor do Departamento de Engenharia Mecânica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), José Roberto Castilho Piqueira, afastar da baía o local de dispersão desse material pode reduzir impactos ambientais.

“Entendo que há um impacto dessa dispersão na zona de mistura, mas só o monitoramento pode dizer de quanto é esse impacto. Essa análise poderá, até, influenciar a tomada de decisões com relação ao nível de tratamento que vai se dar para essa água em terra”, considera.