Gerar a própria energia é ideia atual

Opção que mais cresce na matriz energética brasileira, sistema fotovoltaico permite gerar eletricidade e armazenar a excedente

07/11/2016 - 11:43 - Atualizado em 07/11/2016 - 11:53

Opção, além de ecológica, ajuda na economia

A energia fotovoltaica—produzida a partir da radiação solar e convertida em eletricidade — é a opção que mais cresce na matriz energética brasileira. Nos últimos dois anos, houve aumento de 266,4% na geração desse tipo de energia no País.

Em 2014, produziram-se 16 GWh (sigla para gigawatts-hora) por meio da conversão do calor emitido pelo sol. Um ano depois, o Ministério de Minas e Energia apurou que pequenos geradores foram capazes de produzir 59 GWh a partir dessa radiação.

Apesar de o índice ser pouco representativo no potencial energético nacional — apenas 0,01% do total produzido —, evidencia-se cada vez mais como o assunto energia solar não é mais um tema futurista. Trata-se de uma fonte limpa, que não causa danos à natureza.

“Hoje, esse sistema traz um grande benefício para quem o adota. Em poucos anos, o investimento está pago, com uma vida útil de 20 anos. Este é o primeiro passo da grande mudança tecnológica”, afirma o engenheiro eletricista Ricardo Kaptzan.

Desde 2012, quando entrou em vigor a Resolução Normativa 482/2012, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o consumidor brasileiro pode gerar sua própria energia elétrica a partir de fontes renováveis.

“Todo mundo ganha: o Governo não precisa investir na expansão dossistemas de transmissão e distribuição, a geração tem baixo impacto ambiental, e, no geral, há a redução no carregamento das redes”, diz.

DESDE MARÇO

As novas regras para essa modalidade passaram a valer em 1º de março. Agora, é permitidoo uso de qualquer fonte renovável, com central geradora com potência instalada de até 75 quilowatts (KW) e minigeração distribuída — com potência acima de 75 kW e menor ou igual a cinco megawatts (MW) — conectada à rede distribuidora por instalação de unidades consumidoras.

“Quando a quantidade de energia gerada em determinado mês é superior à energia consumida naquele período, o consumidor fica com créditos que podem ser utilizados para diminuir a fatura dos meses seguintes”, diz o engenheiro.

O prazo de validade dos créditos passou de 36 para 60 meses, e eles podem também ser usados para abater o consumo de unidades consumidoras do mesmo titular situadas em outro local, desde que na área de atendimento de uma mesma distribuidora.

De dia, a energia gerada pela central é passada para a rede. À noite, é devolvida para a unidade consumidora, suprindo as necessidades adicionais. Isso faz com que a rede funcione como uma bateria, armazenando o excedente até o momento em que a unidade consumidora necessite de energia proveniente da distribuidora.

Nova Cintra tem casa preparada

Pelas regras da Aneel, é o consumidor quem deve aderir à instalação de micro ou minigeração distribuída. Para isso, deve analisar a relação de custo e benefício para instalação dos geradores, com bases variáveis: tipo da fonte de energia, tecnologia dos equipamentos, porte da unidade consumidora e da central geradora, localização (rural ou urbana), tarifa, condições de pagamento e financiamento do projeto e existência de outras unidades consumidoras que possam usar os créditos do sistema.

Um consumidor de Santos já testa os benefícios do sistema de energia fotovoltaica. É o engenheiro Amilcar Brunazo Filho, que mora em uma casa no alto do Morro da Nova Cintra. “Como sou engenheiro, e minha mulher, arquiteta, a gente decidiu fazer tudo bem pensado: a casa tem pé-direito alto, isolamento térmico, coleta e armazenamento de água da chuva e, agora, energia fotovoltaica”, relata Brunazo.

Desde que instalou os painéis para captação da radiação solar, sua casa conseguiu gerar perto de um terço do que ele consome de energia. No verão, a conta de energia da residência chega a atingir R$ 600,00. A ideia, quando toda a estrutura estiver pronta, é produzir 100% do consumo da casa. “Se conseguir isso, em seis meses terei quitado todo o investimento que fiz para a instalação do sistema”. Brunazo investiu R$ 26 mil.

O engenheiro eletrônico Ricardo Kaptzan, que trabalha com esse tipo de instalação, argumenta que este não é o “investimento padrão”. “Existe todo tipo de instalação. Tanto para casagrande quanto para pequena. O importante é entender que energia solar é sinônimo de independência do consumidor”, salienta.

COMO FAZER

O procedimento para instalar o sistema não é simples. É necessária a contratação de uma empresa ou de um técnico experiente. Além disso, para conectar o seu sistema é necessário obter autorização da distribuidora de energia. Somente engenheiros e eletrotécnicos podem fazer o pedido.

Esses profissionais vão precisar fazer a visita técnica na casa ou empresa. Depois, projetar a instalação da placa solar e mandar para a distribuidora, para completar o processo burocrático de conexão à rede.

“Os profissionais vão instalar o sistema de energia solar no local mais adequado e homologar a instalação das placas solares junto à distribuidora”, acrescenta Kaptzan.

Depois, diz, a manutenção do sistema é mínima e de baixo custo. Consiste basicamente em limpar as placas solares a cada ano ou quando o sistema apresentar uma queda na produção de energia. “Ou seja, o impacto da manutenção no custo da energia é mínimo”, destaca o especialista.