Retribuir amor é um bom exercício

Educador físico criado no BNH da Aparecida, em Santos, está de volta à comunidade para dar a crianças de lá brincadeiras e esportes

30/08/2017 - 10:52 - Atualizado em 30/08/2017 - 15:38

Da oportunidade, o agradecimento em forma de amor ao próximo. O educador físico Alex Tadeu Alves Rosa, de 39 anos, nasceu e cresceu no Conjunto Habitacional Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, o BNH da Aparecida, em Santos. “Eu sei como é o esforço de uma família que mora aqui. Para criar seus filhos, dar uma condição de vida, estudo... Nosso trabalho vem, justamente, completar, apoiar quem precisa de força extra”.

Há nove anos, o ativista da saúde e das comunidades carentes montou o projeto Cipó Artes Marciais, que oferece modalidades esportivas a moradores de Santos. “No início, não tinha ideia da proporção que isso podia tomar. Mas, agora, não consigo mais me imaginar sem realizar este sonho”.

Piratininga
A princípio, atuando somente na Sociedade de Melhoramentos do Jardim Piratininga, na Zona Noroeste, o mestre de capoeira atendia, gratuitamente, as crianças dos bairros próximos ao núcleo. “Comecei com poucas, pela intenção de oferecer alguma atividade de lazer e cultura. Para que não ficassem trancada sem casa ou dispersas na rua. Queria dar a elas um foco, uma motivação”.

Mais rápido do que poderia prever, o trabalho foi reconhecido, e inúmeros potenciais alunos começaram a chegar ao Cipó. “ Irmãos mais velhos, pais e mães admiravam o resultado nos pequenos e se interessaram por participar”.

 

Alex Tadeu Alves Rosa conduz a iniciativa faz nove anos e, há pouco mais de um, o mantém na Aparecida

Alex teve de recrutar apoio e mais colaboradores para ampliar o atendimento. “Além da CVC, que nos forneceu a ajuda de custo, fui atrás de profissionais que agregassem com o conhecimento de outros esportes. Passamos a atender, no Piratininga, uns 200 alunos, entre crianças, adolescentes, adultos e idosos com aulas de caratê, pilates, ginástica localizada e outras modalidades”.

Andradas
Há pouco mais de um ano, Alex Rosa e seu time de educadores físicos ganharam um novo espaço para trabalhar: a Unidade Municipal de Ensino dos Andradas, na Aparecida, ao lado do BNH. “Conseguir vir para cá foi um presente. Tanto por estar em contato com as crianças do meu bairro como por saber que nosso projeto tem o selo de aprovação da Prefeitura e da Secretaria Municipal de Esportes”.

Para atuar no colégio e pagar a ajuda de custo dos voluntários, o professor recorreu novamente à iniciativa privada. “Dessa vez, a Embraport acreditou no trabalho com crianças tão jovens, algumas com menos de um ano. Sem eles, também não seria possível”.

Agora, a escola, que recebe os alunos em período integral - dez horas por dia, não precisa mais se preocupar com atividades para os pequenos nas horas vagas. “Diariamente, eles tem alguma atividade: balé, judô, capoeira, dança, expressão corporal... O mais difícil era o contraturno: como não tinham aula, não sabíamos o que fazer para estimular o desenvolvimento deles. Por isso, a vinda deles se mostrou um enorme presente”, conta a coordenadora da escola, Rosemeire Aparecida Moraes Petin.

Benefícios
Segundo a pedagoga, mesmo no horário das aulas regulares, é possível perceber o impacto positivo da iniciativa. “As professoras comentam a forma como eles se concentram mais e da destreza que apresentam em sala. Certamente, são resultados das práticas de aprimoramento da habilidade cognitiva desenvolvidas pelo Cipó”.

Como professor Alan Franco dos Santos, de 30 anos, eles fazem um a aula de Educação Física bem diferente. “Gostamos de propor desafios. Por exemplo: pular amarelinha todo mundo sabe. Mas o que eu faço com eles tem um nível de dificuldade maior. Conforme vão pulando, eu peço: ‘agora voltem um’ ou ‘duas vezes com o mesmo pé’. Para eles, é divertido. E, brincando, nem percebem que estamos estimulando o equilíbrio e melhorando suas noções de lateralidade”.

Alan lembra, ainda, que o esporte promove interação entre os pequenos.“Todo início de ano letivo é a mesma coisa. Eles chegam um pouco retraídos, tímidos. Muitos, até, com dificuldade de se despedir dos pais. E, com as atividades, necessariamente eles têm de socializar um com outro. São jogos coletivos, colaborativos, e só têm sucesso quando todos participam. Nós ficamos orgulhosos de realizar tudo isso”.

Perfil

Projeto: Cipó Artes Marciais
O que é? Um projeto que visa a melhorar a qualidade de vida da população carente de Santos por meio do esporte. Começou com capoeira. Depois, incorporou outras modalidades, como dança, pilates e judô, por exemplo.
Desde quando? 2009.
Onde? Na Sociedade de Melhoramentos do Jardim Piratininga, na Zona Noroeste, e na Unidade Municipal de Ensino (UME) dos Andradas, na Aparecida.
Contato: www.projetocipo.webnode.com.br e 99721-9848