Muitos pacientes, uma terapia: amor

Centro de Recuperação de Paralisia Infantil e Cerebral, em Guarujá, cuida da saúde e da educação de 350 crianças com problemas motores

20/09/2017 - 10:07 - Atualizado em 30/10/2017 - 14:12

Fisioterapia é apenas uma das atividades do Centro,
fundado por uma bailarina alemã

Das qualidades mais nobres na índole do ser humano, amor ao próximo sem esperar nada em troca pode ser considerada a maior delas. Em outras palavras: caridade, doação e voluntariado. São esses ideais, além de respeito e responsabilidade, que movem o Centro de Recuperação de Paralisia Infantil e Cerebral (CRPI), em Guarujá.

Entre serviços de saúde e educação, o complexo atende, gratuitamente, 350 crianças e jovens de todas as cidades da Baixada Santista, com vários graus de comprometimento motor.

“Nos tornamos referência em tratamento não só de poliomielite (paralisia infantil), erradicada no Brasil, como também de outras doenças cerebrais, com resultados parecidos”, conta o presidente do CRPI, Reginaldo Paxeco.

Hoje, aos 47 anos, Reginaldo tem uma relação de longa data com a entidade, onde recebeu os primeiros cuidados contra a poliomielite. “Tenho mobilidade reduzida por uma atrofia na perna direita. Mas nunca deixei de fazer nada por conta disso. Sinto que meu trabalho é apenas uma devolução de tudo que este lugar já fez por mim”.

Hospital

A equipe hospitalar é composta por fisioterapeutas, ortopedistas, odontologistas, pediatrias, fonoterapeutas e neurologistas, responsáveis por acompanhar os 200 pacientes do Centro. “Gostaríamos de atender muito mais, mas trabalhamos no limite. Os bebês, até completar o quarto ano de vida, são prioridade. Depois tentamos enviar para a saúde pública”.

Seguem no CRPI os jovens com graus mais elevados de exigência médica. Mas também é frequente encontrar, pelos corredores, ex-pacientes. “Sempre que é necessária receita para um remédio ou um laudo para um carro adaptado, sem impostos, somos nós que fornecemos”.

A casa tem apoio da administração municipal de Guarujá, que mantém convênios para arcar com os custos. “Basicamente, é o suficiente para arcar com folha de pagamento, material hospitalar, contas de água e luz. Todo o resto, depende de nós”.

Pela referência na região, a Prefeitura de Bertioga também se interessou e, recentemente, fechou um convênio para tratamento de crianças. “Eles mesmos fornecem o transporte e as famílias não pagam nada”.

Escola

O currículo seguido é o regular, com as orientações do Ministério da Educação. No entanto, as diferenças aparecem na hora da aplicação do conteúdo. As atividades são adaptadas a cada um deles, levando em consideração suas peculiaridades de aprendizado e coordenação motora.

O currículo seguido é o regular, com adaptações
na aplicação do conteúdo para as necessidades
dos pequenos

“É um ambiente onde professores e alunos constróem uma relação muito maior que as tradicionais. E, ao contrário do que se pensa, quem mais aprende somos nós. Sobre o amor, a pureza e a amizade”, explica a diretora Carina Lima Tavares.

Algumas vezes por semana, a Escola Steffi Leonore Asch recebe voluntários. Pessoas apaixonadas, doadoras de tempo e carinho, como a bailarina e professora de dança Eliana Marques, integrante do projeto há 15 anos.

“Vim a convite da própria Steffi. Ela conhecia meu trabalho e me chamou para dar aulas de Ballet a deficientes auditivos. Na época, colocamos caixas de som por baixo do tablado de madeira, e eu os ensinava a ‘sentir’ a música por meio da vibração. Era assim que eles dançavam”, lembra, emocionada.

Desde então, a professora se encantou pela causa e passou a dedicar duas horas de sua semana às crianças do CRPI. Assim como elas, a playlist não poderia ser mais singular .“Dançamos de Ivete Sangalo a Footloose. E cada um participa como pode: uns se balançam, outros mexem a cabeça, outros sorriem, gargalham, gritam...Ou, simplesmente, olham para você de um jeito especial. Aí eu já sei que a música tocou o coração deles”.

Campanhas

Para não depender exclusivamente da ajuda municipal, o CRPI realiza festas e campanhas ao longo do ano a fim de arrecadar fundos.

“No momento, os esforços estão voltados para a instalação de um elevador personalizado no prédio do hospital. Já tivemos um jantar e contribuições esporádicas, que atingiram 70% da meta. Agora, faltam cerca de 25 mil para finalizar. Acreditamos conseguir no próximo evento, no início de outubro”, comemora Reginaldo.

O presidente atribui o sucesso ao engajamento da comunidade. “Temos alguns sócios-contribuintes, mas o movimento forte é na Festa das Nações, nos próximos dias 6 e 7, quando fechamos a rua e montamos barracas com comidas típicas do mundo todo. É quando recebemos centenas de visitantes e, pelo menos, 80 voluntários para ajudar nos lanches".

Perfil

Projeto: Centro de Recuperação de Paralisia Infantil e Cerebral
O que é? Um centro de reabilitação gratuito para crianças e jovens vítimas de paralisia infantil e cerebral.
Desde quando? 1963
Onde? Estrada Alexandre Migues Rodrigues, 845, Praia do Tombo, Guarujá.
Contato: 3354-3009 / 3354-2983 / e-mail: crpi.gja@uol.com.br / www.facebook.com/crpi.guaruja