''Se eu não mudasse o meu estilo, não teria espaço no futebol atual. Estaria eliminado”. A confissão é de Sérgio Bernardino, o Serginho Chulapa, que completa hoje 60 anos. Eterno ídolo do Santos e São Paulo, o ex-centroavante colecionou gols, títulos, polêmicas e brigas em campo durante a carreira como jogador, entre 1972 e 1993. “Naquela época, tínhamos uma câmera. Hoje temos 30. Eu teria que mudar minha maneira de ser para me manter”.

Hoje, como olheiro do Santos, Chulapa não faz grandes planos. Quer retribuir tudo que o clube e a Cidade lhe deram ao longo dos últimos 33 anos, quando decidiu fixar residência na região. “Vocês sabem como é difícil um jogador sair da periferia para vir treinar no Santos. Nós buscamos eles lá”, diz. “Tenho certeza que vamos encontrar novos Robinho, Neymar e Paulo Henrique”, completa.

Enquanto segue com a sua busca por novas joias, Chulapa aposta em outro jovem atacante, que já teve algumas oportunidades na equipe profissional do Santos em 2013. “O Gabigol tem futuro. Vai arrebentar aqui. Tenho certeza absoluta”.

Uma coisa é certa: o paulistano de nascimento não vai abandonar Santos. “É uma cidade maravilhosa, muito importante para mim. Tenho amigos, alegria e consegui emplacar um evento no calendário da Cidade”, diz, sobre o jogo de confraternização na Ponta da Praia, idealizado por ele e o ex-jogador Gilberto Costa, que reúne amigos há 29 anos.

Maior artilheiro da história do São Paulo (243 gols) e um dos principais após a Era Pelé no Santos (104), Chulapa fala com propriedade sobre a atual situação dos dois clubes e a Seleção Brasileira. Diz que o centroavante está escasso no futebol, mas não vê isso como um problema para os alvinegros e tricolores, além da equipe de Felipão.

“O Luís Fabiano é um grande jogador. Um dos principais centroavantes que nós temos. Teve um ano abaixo do esperado, mas se correr tem condições de jogar a Copa do Mundo. O Brasil precisa dele”, afirma sobre o são-paulino. “O Fred retornando ao campo é favorito. Já mostrou sua importância na Seleção Brasileira”, completa.

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Chulapa foi o herói do título do Camepeonato Paulista para o Santos no gol marcado diante do Corinthians

Arrependimento

Autor do gol do título do Campeonato Paulista de 1984 do Santos contra o Corinthians, Chulapa não se arrepende das suas inúmeras brigas em campo. Ou melhor, apenas de uma.
No Campeonato Brasileiro de 1977, quando vivia uma das melhores fases da carreira no São Paulo, o centroavante agrediu o bandeirinha Vandevaldo Rangel após ter o gol de empate anulado pelo assistente no jogo contra o Botafogo de Ribeirão Preto. Como pena, foi suspenso por 14 meses, mas ficou afastado dos gramados por 11 meses.

“Perdi a minha Copa do Mundo. Estava no meu melhor momento. Acredito que esse seja o único arrependimento da minha carreira”.

Quatro anos depois, Chulapa foi convocado para a reserva e acabou se tornando titular na equipe que encantou o mundo, quando Careca se machucou antes da estreia. Marcou dois gols na campanha.