Carnaval surgiu na Europa e tornou-se a maior festa do País
O Carnaval surgiu na Europa, no século XI. Um longo período de 40 dias de jejum precederia a Semana Santa. Nos dias antes da penitência, as pessoas festejavam os prazeres mundanos, ou da carne. A festa ficou conhecida como os últimos dias antes da Quaresma, em latim carne vale, que mais tarde daria origem à palavra Carnaval.
Com o passar dos séculos muita coisa mudou nos festejos. O Carnaval moderno, como conhecemos hoje, iniciou-se no século XIX.
Todos os anos, a data do Carnaval muda. A festa não tem dia certo porque é regida pelo calendário lunar cristão. Por isso ninguém sabe ao certo em que dia ou mês ele deve ser festejado: se é no final de fevereiro ou no início de março.
Existem algumas regras para descobrir a data. O domingo de Carnaval é sempre 49 dias antes do domingo de Páscoa.
Como essa celebração cristã também muda, é preciso saber que a Páscoa acontece no primeiro domingo de lua cheia na primavera do hemisfério norte.
REI MOMO
As tradições também remetem a uma figura emblemática para o período de folia - o Rei Momo. Considerado o dono do Carnaval, tem atributos que vêm da mitologia grega: sarrista e zombeteiro. Já a característica de ser gordo de maneira alguma estaria relacionada aos gregos, já que eles cultuavam cada curva do corpo humano. Entretanto, informações se contradizem através da história. Para os romanos, Momo era obeso e isso significava fartura e extravagância. Mas é claro que, no Brasil, o personagem não poderia ficar sem um toque da nossa cultura.
Para os antigos atenienses e espartanos, Momo, filho do Sono e da Noite, é o deus do sarcasmo, do culto ao prazer e do entretenimento. O costume de ridicularizar outros deuses acarretou a Momo sua expulsão de Olimpo, sendo deportado para a Terra. Como avatar, o sarrista passou a ter forma humana. Um garoto com rosto alegre, que exalava folia, era sua representação no mundo material.
REI MOMO NO BRASIL
A figura do Rei Momo surge no Carnaval brasileiro em 1933, no Rio de Janeiro, quando um cronista publicou o desenho de um boneco no jornal "A Noite". Por conta própria, o jornalista elegeu o personagem como o rei da folia.
Com o sucesso da publicação, os diretores do jornal promoveram duas campanhas. A primeira contou com o desfile do boneco pela Cidade. Mas, só na segunda o personagem foi consagrado.
O editor Moraes Cardoso foi o bode expiatório para vestir a camisa do comandante da gandaia. Obeso e chefe da seção de corrida de cavalos, o primeiro Rei Momo festejeava pelas ruas da Cidade junto à população. A parada contou com serpentina, confete, lança-perfume e diversos elementos associados ao Carnaval até os dias atuais.
Moraes Cardoso reinou até a morte, em 1948. A moda do gorducho fanfarrão pegou e permanece como símbolo cultural da festa mais alegre do país.
REI MOMO EM SANTOS
Um dos fatores que atribui projeção nacional ao Carnaval santista é a posse mais antiga de um Rei Momo ainda vivente. Waldemar Esteves da Cunha reinou nos dias de folia da Cidade de 1950 a 1990. O Rei Momo deixou a pasta em 1957 e voltou no ano seguinte.
Atualmente, o Rei Momo santista é Darwin Ferreira Barbosa (foto), mais conhecido como Babi. Em 2010, o "dono do Carnaval" marca novamente presença na Passarela do Samba e chega a seu nono reinado.
CARNAVAL EM PERNAMBUCO
Um dos carnavais mais conhecidos do Brasil acontece no estado de Pernambuco. Os bairros Recife Antigo e Cidade Alta, em Olinda, são alguns dos lugares que preservam a cultura dos antigos carnavais.
Em Olinda, dezenas de bonecos gigantes fazem a alegria dos foliões pelas ruas da Cidade, em ritmos como o frevo, ciranda e maracatu. O Homem da Meia-Noite é o boneco mais conhecido e está no local desde 1932.
Além disso, a Capital Recife conta com o maior bloco carnavalesco do mundo, chamado Galo da Madrugada. Os representantes do "Galo" abrem o Carnaval local e dão espaço para um série de outras atividades, como a Noite dos Tambores Silenciosos, quando é realizada uma das manifestações mais tradicionais da cultura negra nordestina, no Pátio do Terço.
CARNAVAL EM SALVADOR
A associação da axé music com o Carnaval em Salvador é quase inevitável atualmente. A semana da folia na capital baiana movimenta três circuitos de festa: Osmar (Avenida), Dodô (Barra-Ondina) e Batatinha (Centro Histórico).
Durante o Carnaval, os três grupos se espalham pela Cidade ao som eletrizante do trio elétrico. Além disso, também há tradição preservada em Salvador. Os blocos afro marcam presença nas ruas da capital com tambores de diferentes timbres, variando das frequências mais graves às agudas, o que torna impossível a permanência de resistentes à folia na Cidade.
Salvador ocupa uma área de 25km de praia, abrigando camarotes, arquibancadas, postos de saúde, postos policiais, o que atrai turistas até dias antes do Carnaval.
CARNAVAL EM OURO PRETO
Mas não é só no Nordeste e nas capitais Rio de Janeiro e São Paulo que o Carnaval brasileiro é conhecido no exterior. Na cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais, a semana da gandaia preserva tradições centenárias.
A arquitetura colonial do município atrai quem gosta dos antigos carnavais, com direito a marchinhas, confeti e blocos que lotam as ruas estreitas de Ouro Preto.
Um dos mais tradicionais grupos carnavalescos da Cidade é o "Bloco da Diretoria", que congrega mais de 100 componentes na bateria. Em 2010, a "diretoria"; completa 18 anos.
Assim como em Olinda (PE), os catitões (bonecos gigantes) marcam presença no meio dos foliões.




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