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Domingo

18 de Novembro de 2018

Alexandre Lopes

É Editor-Chefe de Web no Grupo Tribuna e responsável pelo G1 no litoral de São Paulo. No grupo desde 2008, já participou de coberturas em mais de 15 países. Atualmente, além de coordenar os portais, também apresenta o G1 em 1 Minuto e é comentarista da TRI FM.

Feminicídio: Até quando?

Há alguns meses, o projeto 'Monitor da Violência', do G1/TV Globo, idealizado pelo jornalista e grande amigo Thiago Reis, vem trazendo ao público dados que, em geral, ficavam esquecidos nos armários das Secretarias de Segurança Pública espalhadas pelos estados brasileiros.

No Brasil, 12 mulheres são assassinadas todos os dias. São 4.473 homicídios dolosos sendo, destes, 946 feminicídios, o que representa que uma em cada quatro mulheres é assassinada simplesmente pelo fato de ser mulher. Uma situação completamente inaceitável.

O mais recente desses casos ocorreu na nossa região. Leonice Pinto de Oliveira, de 34 anos, foi morta nesta semana pelo próprio namorado, após passar mais de 48 horas sendo torturada. O caso ocorreu em Miracatu, na região do Vale do Ribeira. O casal estava junto há três anos, mas, segundo testemunhas, vivia brigando por conta de crise de ciúmes do suspeito.

O homem, de 30 anos, chegou a fugir para São Paulo, mas acabou sendo rapidamente localizado pelos policiais e foi preso. Ao ser interrogado, o suspeito afirmou que as brigas eram mútuas e, segundo ele, a vítima ainda estava viva quando as torturas acabaram e ele resolveu deixar a casa. O homem foi indiciado por homicídio por motivo fútil e tortura.

Nosso país experimenta, a cada ano, um aumento significativo na taxa de violência contra as mulheres. Em 2017, por exemplo, quando os dados mais recentes foram divulgados, houve um acréscimo de 6,5% na taxa. A escalada acontece mesmo com as mais variadas campanhas, que nascem nas redes sociais ou propagadas pelos veículos de comunicação, e que parecem não surtir um efeito positivo na questão.

Suspeito chegou a registrar imagens da companheira logo após agressões (Foto: Reprodução/G1)